Onofre Ribeiro
Confesso que depois do surgimento da pandemia do vírus corona, tenho dedicado todos os meus esforços no sentido de compreender toda a sua extensão em todos os segmentos da vida humana. E do próprio planeta. Já é profundamente sabido que de tempos em tempos a humanidade enfrenta desafios civilizatórios na forma de tragédias ou de desafios cruéis como guerras.
Estou fascinado com os fatos e com todos os seus desdobramentos. Começou numa distante cidade chinesa e avançou sobre o mundo inteiro. Curioso é que em todas as regiões e países os traços de pânico são semelhantes.
Mas o fato real é que ao final da pandemia um mundo novo surgirá das cinzas do mundo velho enterrado por um vírus de alcance mundial. Quero lembrar aqui as três capitais europeias mais bombardeadas durante a segunda guerra mundial (1939 a 1945): Paris, Berlim e Londres. Fotos da época da guerra disponíveis no Google mostram essas capitais em ruínas lamentáveis. Olhando hoje as mesmas capitais pelos mesmos ângulos, vemos cidades belíssimas reconstruídas sobre as ruinas. Tudo isso em pouco mais de 70 anos.
O mundo pós-pandemia, portanto, de algum modo nos lembrará nos anos próximos aquelas três capitais destruídas e reconstruídas em cima das ruinas.
Bom. Nessa linha da reconstrução quero apresentar uma tese. Ontem pela manhã participei da retomada do conjunto de lojas do Grupo Matos que detém a franquia de O Boticário em Cuiabá e Várzea Grande. Foi uma reabertura memorável. O grupo se reciclou na linha do pós-pandemia. Daniel Matos, o diretor de negócios, um jovem com pouco mais de 30 anos, fez aos colaboradores uma releitura do novo mundo dos negócios tanto na área do varejo, como de todos os negócios. O novo método de uma empresa tradicional de 30 anos enfrentar o novo mercado e o novo cliente.
E apresentou um tema novíssimo: os open leaders. O que é isso. É o novo exercício da liderança no mundo pós-pandêmico. Ao contrário do sistema tradicional de lideranças, o open leader é baseado em três pontos: a transparência, a colaboracionismo e a consolidação dos valores do negócio. O sistema de hierarquias de comando desaparece completamente e se estabelece a colaboração entre todos dentro da mesma empresa ou negócio. Com base em valores da empresa, a gestão se dá em regime aberto, quando comparada com o sistema tradicional de comando e comandados.
Dito assim, fica parecendo que seja uma destruição da empresa. Afinal, quem vai mandar? Aí está a grande questão. Ninguém manda. O comando está na ação coletiva baseada no envolvimento da transparência e na solidez dos valores. É uma revolução civilizatória.
Voltarei ao assunto. Mas prometo que será revolucionário estar no mercado de trabalho nos próximos meses e anos.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
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