Andrea Ladislau
Com o fim do Janeiro Branco, campanha de conscientização da Saúde Mental, o programa jornalístico Fantástico da Rede Globo desta semana, destacou a importância dos cuidados e, principalmente, do combate à desinformação em relação a Esquizofrenia.
Uma doença mental que possui como forma mais comum, a demência. No Brasil, estima-se que há cerca de 1,8 milhão de esquizofrênicos. Mas, o número de casos aumenta assustadoramente, principalmente entre jovens e crianças, e segue afetando a vida adulta, comprometendo o equilíbrio emocional do indivíduo.
No entanto, como existem muitos estigmas em relação à doença, pouco se fala sobre as causas, os sintomas e tratamentos. Ou seja, a falta de informação e compreensão em relação aos episódios esquizofrênicos, entre pacientes e familiares, tende a demorar a busca pelo acompanhamento adequado.
É uma desordem cerebral que deteriora a capacidade das pessoas para pensar, dominar suas emoções, tomar decisões e relacionar-se com os demais. As causas desse transtorno mental não se resumem a um único fator.
Cada pessoa pode vivenciar situações diversas ao longo da vida que poderão servir de gatilho, como por exemplo: desnutrição materna e depressão pós-parto; gravidez indesejada; crescimento anormal do feto; perdas emocionais fortes e precoces; histórico de abusos físicos e mentais; repetitivas experiências psicológicas negativas; abuso de substâncias; histórico genético, entre outros.
Por ser uma doença psiquiátrica, ela tende a provocar mudanças na forma como uma pessoa pensa, sente e se comporta socialmente, havendo dentre diversos sintomas, a desconexão frequente com a realidade. É um tipo de transtorno delicado, porém frequente e universal.
Se manifesta alterando a percepção do indivíduo e seu comportamento, através de dificuldades motoras, desconfiança excessiva e diminuição da produtividade, além de mudanças da própria perspectiva e elevação dos pensamentos abstratos. Tudo isso acontece porque existe uma ruptura com a vida de forma geral.
Porém, cabe destacar que, a esquizofrenia não é uma doença incontrolável ou um atestado de insanidade para o resto da vida. Como o estigma que o nome do transtorno carrega é grande, pacientes que são diagnosticados podem sentir medo, tristeza e até culpa.
E, infelizmente, na maioria dos casos, é o seu círculo social que se recusa a acolhê-los e que geram gatilhos com atitudes agressivas, intensificando os episódios de surtos e alucinações.
Existem diferentes tipos de esquizofrenia, mas mesmo que a doença comprometa o contato do paciente com a realidade, ela é tratável.
O tratamento requer acompanhamento psiquiátrico e psicoterápico constante, com administração medicamentosa, além claro da necessidade de inserção e acolhimento deste paciente em um ciclo de relações familiares, de amigos, trabalho e intimidade pessoal.
Visto que, o isolamento dificulta a interação e uma rede de apoio dedicada faz toda diferença no sucesso do tratamento.
Portanto, a esquizofrenia se cura não só através do auxílio da medicina, mas principalmente, através da informação, do fim do preconceito, do acolhimento e do estímulo de contato do paciente com o mundo externo, sem preconceitos ou julgamentos.
Desta forma, sentindo-se integrado, o esquizofrênico terá ainda mais chances de aprender a lidar com a confusão mental e corresponder às interações a seu redor.
Andrea Ladislau é graduada em Letras e Administração de Empresas, pós-graduada em Administração Hospitalar e Psicanálise e doutora em Psicanálise Contemporânea. Possui especialização em Psicopedagogia e Inclusão Digital. É palestrante, membro da Academia Fluminense de Letras e escreve para diversos veículos. Na pandemia, criou no Whatsapp o grupo Reflexões Positivas, para apoio emocional de pessoas do Brasil inteiro.
Instagram: @dra.andrealadislau
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