Alfredo da Mota Menezes
Mato Grosso do Sul está conectado aos países andinos por asfalto, a partir da região de Corumbá. Também se conecta com o Paraguai de forma direta, por ser fronteira, e agora virá uma ponte nova, na região de Porto Murtinho, para o caminho que estão chamando de Rota Bioceânica. Também está no Mercosul pela hidrovia do Paraguai. MS tem seis diferentes portos nessa hidrovia.
O comércio entre os lados flui e o turismo faz parte da pauta de toda a região. A segurança tem meios mais efetivos de combate ao mal feito por causa das diferentes conexões entre os lados da fronteira.
No caso com a Bolívia, o asfalto até MS foi feito pelo próprio governo do país vizinho. Comenta-se que teve até dinheiro emprestado do BNDES para obras ali. Empreiteiras brasileiras fizeram parte das obras também. Até o Acre está conectado ao Peru por asfalto feito com recurso emprestado do Brasil.
E o nosso lado como anda a coisa toda? A novidade está na hidrovia do Paraguai, onde dois novos portos estão sendo construídos, Barranco Vermelho e Paratudal. Esses portos farão MT ter mais comércio com países do Mercosul e ainda sai no Atlântico.
Mas na direção dos países andinos a coisa não anda. Não é que o governo do estado ou Brasília tenham que asfaltar trechos dessa área para se ter uma integração maior. O asfalto que falta é ainda na Bolívia. Já está asfaltado entre Cáceres e San Matias, por exemplo.
O caminho talvez fosse um trabalho de médio e longo prazo, com grupo especifico aqui do estado, junto ao governo boliviano, com presença da prefeitura de Cáceres e prefeituras da Bolívia mais perto de nossa fronteira.
Essa aproximação, com os cuidados diplomáticos necessários, poderia quem sabe convencer o governo boliviano a asfaltar o trecho que falta dentro do país, entre Concepcion e San Matias, na nossa fronteira. Este é o trecho que interessa.
Esse trabalho do governo boliviano deveria ser incentivado e até oferecer suporte para que eles tenham condições de ter empréstimos do BNDES, como se teve em outras empreitadas, para concluir o asfalto para o nosso lado.
Quem mais ganha com isso no estado seria Cáceres. Daí que esse trabalho teria que contar com o apoio e boa vontade de gentes e autoridades do município. Impressiona, ao longo dos anos, a quase indiferença dali para um assunto que daria imenso impulso à economia de Cáceres e região.
Com essa ligação asfáltica se pode chegar ao mercado andino que tem cerca de 150 milhões de habitantes e um PIB regional que beira um trilhão de dólares. Seria uma base enorme para a agroindústria estadual, agora e mais ainda no futuro. Além de aumentar o turismo em ambas as direções e ajudaria também o trabalho de segurança na fronteira.
É um jogo de ganha-ganha e que deveria ter um time para trabalhar essa alternativa de longo prazo. Mato Grosso do Sul tem diferentes alternativas com os vizinhos sul-americanos. Por que não aqui?
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br

Ainda não há comentários.
Veja mais:
CNU2: resultado preliminar das vagas reservadas já pode ser consultado
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor