Onofre Ribeiro
Em 1930 o presidente do Brasil Washington Luis, disse uma frase que marcaria a história das gestões públicas dali pra frente. “Governar é abrir estradas”, disse ele. De fato, na época era outro o Brasil. Mas a sua frase foi copiada como regra das gestões públicas federais, estaduais e municipais até hoje, 91 anos depois.
No governo Juscelino Kubitscheck, de 1957/1961, foi um tempo de grandes obras rodoviárias, industrialização do país e a construção de Brasília. Nunca correu tanto dinheiro no país como naquele período. Mas nascia ali a corrupção pública em obras e na aquisição de serviços e de produtos.
Nos governos militares a corrupção veio aparecer no governo Ernesto Geisel, de 1975 a 1979. Mas comparada ao que se rouba na atualidade, era corrupção de trocados. No governo Sarney, de 1985 a 1990, a corrupção correu solta. E dava o tom para os anos seguintes numa gigantesca proporção de crescimento. O Governo Collor, eleito em 1990, durou apenas dois anos, mas a corrupção se diplomou ali. Veio Fernando Henrique, o segundo na sucessão de presidentes eleitos no regime civil. Apoiado no sucesso do Plano Real, o governo surfou em popularidade. Mas nas privatizações necessárias ao país, a corrupção foi gigantesca.
O período Lula, de 2003 a 2010, dispensa comentários. A sucessora Dilma Rousseff seguiu a linha que herdou. De lá pra cá o país entrou em crise institucional porque roubar está se tornando incorreto politicamente.
Aqui entra o propósito deste artigo. A Operação Lava Jato, iniciada em 2014 pra investigar irregularidades num mísero posto de gasolina em Brasília, desvendou um abismo de corrupção no país envolvendo toda a elite governamental, política, administrativa e judiciária. A mídia seguiu passo a passo Lava Jato e não houve cidadão brasileiro que não soubesse o que aconteceu com a Petrobras, com verbas públicas, com o BNDES, Caixa Econômica, Banco do Brasil, fundos de pensão, obras e financiamentos superfaturados a empreiteiras.
Muito embora do posto de vista judiciário, a frustração seja muito grande, do ponto de vista moral a sociedade entendeu o recado: tudo que for público envolve desonestidade, desvio de interesses ou corrupção.
Aqui vamos às obras físicas. Desde o presidente Washington Luis até hoje, obra pública que se preza, tem rolo. Mas nesses 91 anos permitiu o surgimento de uma categoria de gestores conhecidos como tocadores de obras. Era absolutamente glorioso o gestor ser conhecido como tocador de obras. A corrupção até antes da Lava Jato era considerada como parte natural na gestão do dinheiro público. Era chique até. Comissão mínima de dez por cento em obras era a regra politicamente aceita e correta.
Voltarei ao assunto. Este primeiro artigo foi só uma contextualização da origem da corrupção. Porém, o próximo artigo, ao longo desta semana, dirá como os tocadores de obras estão sendo banidos da vida pública.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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