Luciano Vacari
O sistema de produção, verificação, armazenagem e validação dos dados da cadeia produtiva da carne passa para uma nova fase de operacionalização para se tornar mais eficiente, moderno e seguro. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) cedeu a gestão completa do Sistema Brasileiro de Identificação de Bovinos e Bubalinos (SISBOV) à Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA), uma iniciativa visionária da gestão pública.
O Brasil possui um sistema eficiente de rastreabilidade de bovinos que permitiu a abertura de importantes mercados, como da União Europeia, à carne brasileira. Sob a gestão pública, porém, o programa acaba se tornando limitado devido aos entraves técnicos e burocráticos existentes nos serviços governamentais.
Seguindo exemplos de outros países exportadores de carne, o Brasil passa a ter no controle desta ferramenta, a partir de agora, os maiores interessados em certificar a produção: o setor produtivo. Indústrias, produtores e certificadoras se unem para custear e gerir o sistema. Ao setor público continua a incumbência de fiscalizar o processo de garantia dos requisitos estabelecidos no Certificado Sanitário firmado entre Brasil e os países importadores.
A rastreabilidade é uma tendência mundial e futuramente será exigida por muitos outros clientes, internos e externos. Por meio desta ferramenta, é possível acessar dados sobre os animais e as propriedades rurais por onde eles passaram, uma espécie de passaporte que comprova a origem do produto que chegará à mesa dos consumidores.
O processo, além de certificar a procedência da proteína, também é um instrumento para a segurança alimentar, uma vez que certifica o atendimento de todos os protocolos de saúde. E mais, é possível monitorar quanto, onde e como o alimento está sendo produzido.
Atualmente, integrar o Sisbov permite que os produtores recebam um valor diferenciado, como uma espécie de bonificação pelos investimentos realizados, pago pelos compradores. Isso sem falar da credibilidade que é agregada à marca, seja da carne ou da fazenda, por comprovarem a procedência e os modelos produtivos adotados.
Ou seja, agregação de valor, marca, divulgação. Rastreabilidade é na verdade o melhor marketing que a carne brasileira pode ter. Grande parte da produção nacional é feita em acordo com a legislação, atende aos mais exigentes padrões de qualidade e ainda contribui para o desenvolvimento sustentável de regiões como o Cerrado e Amazônia. Mas isso não é divulgado.
Ao imprimir essas informações na carne, por meio do sistema de controle, mostra-se para o mundo como é possível produzir carne, gerar renda e conservar o meio ambiente. Rastreabilidade é uma oportunidade para vender mais e melhor.
Com o novo modelo, a adesão é voluntária e os custos e os bônus são definidos entre os envolvidos no processo, assim como as decisões sobre os parâmetros adotados. Assim, com custos e responsabilidades compartilhadas, os benefícios também são distribuídos entre aqueles que aderem ao sistema.
O Brasil está dando passos largos ao tão sonhado autocontrole e todos sairão ganhando com mais agilidade, eficiência, credibilidade e, claro, valorização do produto.
Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria.

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