Alfredo da Mota Menezes
Dados recentes em Mato Grosso, no setor do agro e também em contas públicas, chamam a atenção. Começo pelo agronegócio.
No Valor Bruto de Produção, aquele que mede a riqueza no campo ou da porteira para dentro, MT passou de 136 bilhões de reais, um aumento de 20% de um ano para o outro ou 17.7% do nacional.
Suplantou São Paulo (quem diria que MT um dia passaria em uma atividade econômica aquele estado), Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. No Centro Oeste, MT teve 55% do VBP ou mais da metade da produção agropecuária do Centro Oeste.
Na produção de grãos, pelo décimo ano seguido, é o primeiro do país, passando de 73 milhões de toneladas. A produção de grãos dos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, juntas, são menores que a de MT.
É apropriada a ilação histórica de que agricultores do sul do país que vieram para cá eram, no geral, os que tinham menos terras para si e seus filhós. Os que ficaram lá, também em tese, eram os que tinham mais recursos ou terras e não precisavam ir para lugares distantes para sobreviverem. Os supostos mais pobres estão produzindo mais que os dois mais importantes estados agrícolas do sul do país.
Alinda na área do agro se fala que pesquisas para produção de trigo no cerrado estão adiantadas. Que já se consegue colher seis mil quilos por hectare, quase no patamar de países altamente produtores de trigo. Mais um pouco e quem sabe o estado estará produzindo trigo também. Já pensou o Brasil passar de importador para exportador desse produto? A Argentina, grande fornecedora, deveria ficar preocupada.
No setor público, diz a Secretaria de Fazenda, MT tem superávit orçamentário este ano e que isso aconteceu por causa do crescimento de 14% na arrecadação do ICMS gerado, entre outros fatores, pelos mais de três bilhões de reais do auxilio emergencial que entrou no estado.
Gerado também pelo crescimento e exportação do agro e a arrecadação do Fethab. E ainda por transferências diretas do governo federal. Diz a secretaria que no orçamento do ano que vem o estado terá dois bilhões de reais de recurso próprio para investimentos.
Outra notícia é que os gastos com a folha de pagamento do Executivo estadual, do Tribunal de Justiça e da Assembleia Legislativa estariam dentro do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Que instituições, como o Tribunal de Contas e o Ministério Público, também estariam cumprindo a regra de gastos com a folha salarial. Se confirmado, faz muito tempo que tudo isso não ocorria, dai a novidade.
Num ano de pandemia, em que tudo parecia que ia por água abaixo, se tem dados, na área do agro e em setores públicos, que funcionaram ao contrário. Vamos ver como vai ser no amedrontador ano que vem.
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br Site: www.alfredomenezes.com
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