POR FÁBIO GÓIS - CONGRESSO EM FOCO
Alvo de duas denúncias barradas pela Câmara e dois inquéritos ativos, o presidente Michel Temer (MDB) fez mais discurso em rede nacional de rádio e televisão por ocasião do feriado de Tiradentes (1746-1792), celebrado neste sábado, 21 de abril.
Disposto a se reeleger e aconselhado por assessores a não se omitir diante da data, Temer partiu para o ataque e defendeu “realizações” de seu governo. E chega a se comparar ao “Mártir da Independência” quando diz que Tiradentes foi “acusado e condenado” – Temer, no entanto, não faz qualquer menção direta às complicações que se acumulam contra si na Justiça, na condição de suspeito de ter praticado crimes como corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça.
“Que nesse 21 de abril, lembremos que Tiradentes foi acusado e condenado por lutar e defender um Brasil livre, forte e independente. Ao final, a história lhe deu a vitória maior. Seu exemplo de luta é exemplo para todos nós que trabalhamos para trazer mais conquistas ao Brasil”, diz trecho final do pronunciamento (veja a íntegra abaixo em texto e vídeo).
“É fácil bater no Michel Temer! É fácil bater no governo, é fácil só criticar. Quero ver fazer, quero ver conquistar! Quero ver construir e realizar o que nós conseguimos avançar em tão pouco tempo”, acrescenta o presidente, um dos principais alvos da Operação Lava Jato.
Como é de praxe, cada vírgula do discurso foi cuidadosamente estudada de acordo com o contexto enfrentado pelo presidente – rejeição popular há meses mantida em níveis recordes, base aliada a cada dia menos fiel à medida que se aproximam as eleições e investigações avançando rumo à condenação de seus principais amigos e aliados.
No debate sobre o teor da fala, um grupo de interlocutores de Temer queria que o pronunciamento fosse uma espécie de base de lançamento para sua defesa contra as acusações. Por outro lado, principalmente por influência do marqueteiro Elsinho Mouco, um núcleo palaciano preferia aproveitar o ensejo da data tradicional para lançar as bases não de defesa, mas de uma espécie de “novo governo Temer.
E, como também é protocolar, Temer faz um breve histórico do que disse considerar como conquistas de sua gestão. Citou queda de juros, manutenção da inflação abaixo da meta, crescimento do Produto Interno Bruto e melhoria nas taxas de desemprego. Mencionou até a controversa intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, posta em campo em 16 de fevereiro, que não conseguiu diminuir a criminalidade no estado – em vez disso, como o jornal O Globo mostrou na última quarta-feira (18), aumentou a ocorrência de crimes como roubo de veículos e cargas. E, nesse ponto do pronunciamento, aproveitou para fustigar quem critica seu governo – como mostram há mais de ano pesquisas como Datafolha e Ibope, grupo que engloba mais de 90% da população brasileira.
“A torcida organizada pelo fracasso tenta bater bumbo. Tenta perder o jogo todos os dias. A verdade é que o Brasil virou esse jogo. Alcançamos, nesses dois anos, vitórias expressivas, recordes após recordes, mas muitos teimam em não perceber a mudança. Em não admitir o nosso sucesso: o sucesso do Brasil”, reclamou o emedebista, que também fez referência às eleições deste ano e exorta eleitores à tranquilidade.
“É um ano de escolhas. E elas deverão transcorrer na maior tranquilidade e é isso que quero garantir-lhes a partir das minhas competências como Presidente da República Federativa do Brasil”, diz Temer.

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