Onofre Ribeiro
Até a última sexta-feira 125 mortes haviam sido debitadas à paralisação da Polícia Militar no Espírito Santo. No primeiro momento, condena-se a PM por paralisar. No segundo, quando se vê a sociedade capixaba prisioneira dela mesma, aí a coisa vai além das polícias militares. Lá, pessoas ditas trabalhadoras estão assaltando-se entre si e assaltando a classe média e rica. O que se vê é a barbárie instalada dentro da sociedade.
Na minha infância li na escola primária a fábula de uma criança que sozinha estancou com o dedo o buraco numa represa. O espírito da fábula era o de que nós podemos tapar as nossas falhas com gestos simples. Nesse caso em questão, a sociedade do Espírito Santo se mostra violenta, fora de controle e despreparada pra viver civilizadamente. E nos demais estados, não será a mesma coisa? A PM nas ruas funcionaria como o dedo da criança da fábula, segurando a enchente social de uma represa arrebentada.
A leitura é muito clara. Durante décadas o Brasil viverá com a herança de separação da sociedade entre “nós” e “eles” dos governos petistas. A tese foi muito bem construída no sentido de desconstruir os fundamentos da vida social. De um lado distribuíram-se cestas e mais bolsas sociais como inclusão de renda, mas tirou a educação. Qual era a idéia? Criar uma camada permanente de eleitores baratos, escravos de bolsas de centavos. O poderoso discurso da distribuição de renda foi muito massacrante. Ao longo do tempo a inflação e a crise econômica brasileira reduziram a muito pouco aqueles benesses e não deixou o essencial: a camada pobre da sociedade com educação capaz de ocupar seus espaços no mercado de trabalho. Criou-se, ao contrário, uma legião de gente que pensa que pode viver sem trabalhar e que pode tirar de quem tem aquilo que ela não tem.
Os saques são prova disso. Não foram bandidos e nem facções elitizadas de bandidos presos comandando a partir dos presídios. Foi gente da rua mesmo, considerada decente e trabalhadora. A massa está fora de controle. A polícia serve, então, como proteção da barragem pra ela não romper. Isso revela uma sociedade bárbara que não tem fundamentos pra viver por si. Precisa da prevenção e da repressão pra ter o mínimo de equilíbrio.
O que vem depois? A necessidade urgente de começar a reconstrução do país. Porém, não há quem o faça. Quem poderia está fora de controle também, realizando saques noutra ponta da sociedade... A barbárie chegou!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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