João Edisom
Vivemos um momento político tenso no Brasil e se somarmos isso a situação pandêmica, podemos dizer que estamos sem rumo e sem bússola. Os poderes constituídos, tão importantes a democracia, se tornaram poderes absolutistas exercidos a favor de interesses pessoais ou de grupos com forte vaidade. Muito distante dos interesses públicos necessários. Isso se aplica ao Executivo, Legislativo, Judiciário e demais autarquias. Transformaram o Brasil em uma Torre de Babel.
A história da Torre de Babel é uma passagem bíblica que diz respeito à comunicação entre os povos. Está relatada no capítulo 11 de Gênesis, primeiro livro da bíblia, quando Deus confundiu as línguas na torre de Babel. Filo Hebreu ponderou que todos ficaram mudos e surdos porque, ainda que todos falassem e todos ouvissem, nenhum entendia o outro.
O resultado desta Babel brasileira se manifesta na quebra do pacto democrático e esparrama um ódio virulento que contamina a sociedade e desorienta as concepções de empatia, solidariedade, ética e respeito. Pois quando sentimos ódio em demasia de uma pessoa, ficamos vulneráveis e por isso normalmente nos unimos a outra muito pior do que a que odiamos. Há uma perda de critério em nome da obsessão.
Das desilusões junto as decisões burocráticas, alongadas e demoradas, tais como o resultado dos julgamentos do Mensalão, até as investigações da Lava Jato, nos empurrou nesta ladeira da descrença e do obscurantismo onde todos dão opinião sobre tudo mas agem pelo ódio a alguém. O racional e a análise profunda são as primeiras vítimas.
Nesta Babel tupiniquim tem opiniões sobre leis, política, ciências e até sobre assuntos técnicos e complexos. Quando todo mundo dá opinião sobre tudo é porque na verdade ninguém sabe de verdade o que realmente está ocorrendo. o pior de tudo é que quem detém o poder prefere que ninguém saiba mesmo, pois somente assim continua a governar para benefício da vaidade.
No meio dos interesses particulares e desta confusão que se tornou os poderes constituídos no Brasil, alguém partiu sem que ninguém visse. Foram embora o bom senso, a ética, os valores humanos e a empatia. E sem que muitos percebam, já está de malas prontas também a democracia e a liberdade de viver em paz.
Esta confusão toda ocorre porque a razão já foi embora e a compaixão se transformou em ódio. Seja a justiça em sua esfera máxima (o STF), ou o presidente em suas falas tresloucadas e em seus passeios promotores de aglomeração em plena pandemia, ou mesmo o legislativo dentro de seus diversos descontroles nas mais variadas áreas de interesse privado e de autoproteção, vão dando o tom para o império do caos.
Não é ao acaso que em tempos desta dualidade política tivemos aumentos expressivos nos crimes de homicídio, feminicídio, homofobia, ambiental, intolerância religiosa, entre outros. Aumentou o negacionismo para com o conhecimento histórico mundialmente reconhecido e a uma insistência no revisionismo histórico dos fatos. Pais estão deixando de vacinar seus filhos e doenças até então erradicadas estão voltando.
A construção da torre de Babel contém informações muito interessantes que por vezes nos ajudam a compreender a realidade de uma época e nos servem de reflexão atual. Será que algum dia toda essa loucura fará sentido? Enquanto isso, estude um pouco, sinta menos ódio, chore um pouco, porque eles, os causadores, até demoram, mas passam. A vida é finita até para eles, os deuses da Babel brasileira.
João Edisom é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.

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