Lourembergue Alves
Uma novela tem prazo para terminar. Às vezes, termina antes mesmo do fim previsto. Outras, claro, custa a chegar ao seu final. Parece ser deste último o tipo que se está a assistir, e a assiste mesmo quando não se quer mais, com os protagonistas – o prefeito e o governador - a medirem forças. Ainda que desmedidas, servem para alimentar uma querela. Iniciada na segunda semana de janeiro de 2017, e segue firme, sem trégua alguma, com os capítulos-motes a se multiplicarem, até a se repetirem. Reprises infindáveis.
Tem como fonte-motor o massagear de egos. Egos massageados, reoxigenados, revigorados, enquanto as vontades populares se definham. Mirram-se tanto que, tristemente, transformam-se em pequeno filete, espremido entre duas camadas, que o esmagam, aprisionam-no e o soltam em cadafalso. Mal tem tempo para se safar, derrubar o carrasco e atirar-se lá de cima.
Há quem se regozija. Regozija-se bem mais ao ter sua decisão prevalecida, com a aprovação da Casa Legislativa estadual, mesmo despida de sustância, oca por completa. Embora “vendida” como se resultasse de estudos técnicos. Venderam-na tão bem, mas tão bem, que fora ovacionada por alguns que se encontram na plateia. Plateia, onde também existe quem nada gostou, e vaiou o decidido. Decidido destrambelhado, apressado, quase no final do ano, logo depois do esvaziar-se das urnas, com o eleito ainda a comemorar a vitória eleitoral, diferentemente do nome apoiado pelo Palácio Paiaguás.
O que suscitou deduções. Deduções com lastros, embora não confessados. Eram grandes os vestígios. Vestígios de retaliação. De novo, a plateia se viu dividida. Isso não é nenhuma novidade. Novidade seria se não houvesse tal divisão, afinal o jogo é um espetáculo, e, como tal, divide-se a torcida. Dividida entre os dois protagonistas dessa enfadonha novela. Interminável por conta dos interesses particulares do governador e do prefeito. Ambos têm suas atenções voltadas às eleições de 2022.
Digladiam, e mostram-se empenhados, ainda que sejam péssimos esgrimistas, igualmente como se portaram ao longo de 2017-2020. Também não são bons atores. Pecam-se em demasia, perdem em suas falas, e se veem engolidos pelos fatos, os quais não podem ser mudados ao sabor das conveniências. Ainda que haja, e sempre há quem procura manipulá-los, sem êxito algum. Fatos são fatos.
Diferentemente, portanto, das versões. Versões são leituras enviesadas de outrem, e estes se manifestam movidos por alguma coisa, ou pela paixão de torcedor. Torcem-se tão somente. Isto é exemplar, pois clareia o que estava à meia-luz, ou de todo encoberto. Encoberto por um motivo. Motivo sem a razão. Afinal, há pouco tempo, um grupo de técnicos defendeu a mudança do BRT para o VLT, e, nos dias atuais, esse mesmo grupo defende o BRT no lugar do VLT. Posições podem ser mudadas. Mudadas, inclusive, com rapidez.
Mas o curioso é que a mudança sobre o modal se deu motivada pela pessoa que ocupa a cadeira central do Paiaguás, e não em função de estudos técnicos. Ainda que se tenham notícias de avaliações realizadas por parte de uma comissão criada no interior no Ministério do Desenvolvimento Regional, a qual apresentou cinco relatórios ou cinco projeções para o sistema. Relatórios não publicados. Tampouco discutidos.
Mesmo assim, estranhamente, o governador optou-se pelo BRT. O prefeito bateu o pé, e saiu contra. A Assembleia Legislativa foi acionada, e se colocou do lado do governador, mesmo sem nada debater ou conhecer. O prefeito, auxiliado por alguns parlamentares, defendeu um plebiscito. O governo ironizou tal defesa, e a população, igual barata tonta, ficou entre estes fogos cruzados, enquanto pelo ralo tende a escorrer quase um bilhão e meio de reais. Haja paciência! Novela sem fim. É isto.
Lourembergue Alves é professor universitário e analista político.

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