Maria Augusta Ribeiro
Você ajusta o filtro: pele perfeita, corpo esculpido, olhos que brilham. Posta. 47 likes em 3 minutos. Mas o peito aperta. “E se não curtirem o próximo?”. Em 2025, 68% dos usuários de metaverso e redes relatam “ansiedade de avatar” (USC Annenberg). Não é vaidade. É pânico digital. O Janeiro Branco – mês da saúde mental – chega para lembrar: o eu virtual está matando o eu real.
Jaron Lanier Acende o Sinal Vermelho
O pai da VR, autor de Você Não É um Gadget (mais de 1 milhão de cópias), avisa desde 2010: “Avatares criam um eu ideal que o corpo nunca alcança”. Em 2025, isso é atualizado: usuários passam mais de 2,4 horas/dia “performando” online e 54% sentem vazio inexplicável. O avatar não é extensão. É prisão. Janeiro Branco grita: cuide da mente por trás da máscara.
Exposição prolongada a avatares “perfeitos” eleva cortisol em 29%. Traduzindo: você vê o filtro, compara com o espelho, entra em loop de inadequação. Jovens de 18 a 24 são os mais atingidos: 71% editam fotos diariamente (Pew Research). O cérebro não diferencia: rejeição virtual dói como real. Ansiedade de avatar vira ansiedade de vida.
Metaverso: O Palco Infinito
Entre no Decentraland: terreno caro, skin raro, status visível. Quem não tem fica “invisível”. Um relatório da Common Sense Media (2025) flagra: 1 em 3 adolescentes já gastou dinheiro real pra “melhorar” o avatar e evitar bullying digital. O Janeiro Branco pergunta: saúde mental vale um NFT? A resposta é não. Mas o mercado diz sim.
Instagram, TikTok, BeReal: todos prometem “autenticidade”. Mas o algoritmo premia perfeição. Um paper da Princeton (2025) mapeou: posts “naturais” têm 42% menos alcance. Resultado? Usuários forçam naturalidade e queimam neurônios. O ciclo: edita, posta, espera validação sem sucesso e a mente desaba.
Especialistas ensinam técnicas simples para detox digital, mas e se a proposta fosse outra? Passar uma semana sem avatar: use foto real ou nenhuma. Faça um diário offline: escreva 3 coisas que seu corpo fez hoje – sem o digital. Conversa real: marque café com alguém sem celular na mesa. Parece simples? É. Mas quebra o loop em 21 dias é desafiador.
O Caso da Dove: Beleza Sem Máscara
Em 2025, Dove lançou campanha Janeiro Branco no metaverso: avatares “sem filtro” ganham desconto real. 8 milhões de interações, 62% dos usuários removeram edições por 30 dias. Vendas subiram 18%. Prova: saúde mental vende. E cura. A marca não criou produto. Criou espaço pra ser humano.
A ansiedade de avatar não some em fevereiro. Ela mora no bolso. Mas você pode morar na pele: toque o braço, sinta o pulso, respire fundo. O avatar não precisa ser perfeito. Você precisa estar vivo. Desligue o filtro. Ligue o corpo. A mente agradece. E o Janeiro Branco vira ano inteiro.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia no Belicosa.com.br

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