Lourembergue Alves
Uma eleição é diferente de outra. Ainda que regidas por iguais regras, parte dos atores se faça presente nas duas e o formato dos debates não tenha mudado. Mesmo assim, são distintas. Todas oferecem situações não presenciadas. Situações que são, todas ou em partes, levadas para à mesa das discussões. Mas, entre elas, encontra-se uma que, talvez por descuido, jamais serviu de objeto de análise dos políticos, muito menos dos estudiosos do jogo político-eleitoral. Infelizmente. Pois a não atenção devida a ela, tem trazido resultado altamente negativo as agremiações políticas. Agremiações que, a cada disputa eleitoral, são tratadas com indiferença, inclusive por pessoas que dependem delas para saírem-se como candidatos.
Mas, no afã de se apresentarem como “novos”, sem sê-los de fato, e diferentes dos políticos tradicionais, ainda que não sejam, e não são mesmos. As siglas partidárias, é preciso realçar, são imprescindíveis à vida e ao viver democrático. Impossível se ter democracia, e o seu avançar, desacompanhada dos partidos políticos. Partidos políticos que, contraditoriamente, são, a todo instante, agredidos, desrespeitados e ignorados, exatamente, por quem deveriam defendê-los.
Refere-se, aqui, a muitos de seus filiados. Filiados, embora ocupantes de cargos nos diretórios municipais, regionais e nacional, sequer, debruçaram-se sobre o estatuto partidário. Desconhecem-no por completo. Isso é o fim da picada. Pois a leitura do estatuto é a primeira tarefa de alguém que queira se filiar a sigla “A”, “B” ou “C”. E, ao desconhecê-lo, agem de forma atabalhoada, e, ainda, posam-se de mocinhos e heroínas.
Também durante as campanhas eleitorais. Vejam (e) leitores, os mais estranhos casos: (1º.) parlamentar, cujo partido tem candidatura na disputa à chefia do Executivo, opta-se por candidatura adversária; (2º.) líderes expressivos, durante a disputa ao Senado, pedem votos a um dado postulante que nada tem a ver com a sua sigla, e mesmo que esta tenha nome em outra chapa; (3º.) políticos, com cargos eletivos e cadeiras em diretórios, mostram-se “neutros” em uma dada disputa, na qual tem como concorrente gente de seus partidos; (4º.) parlamentares e chefes do Executivo que divulgam seus votos em candidaturas distintas das apresentadas por suas próprias agremiações; (5º.) parlamentares que pedem permissão a executiva de seus partidos, e conseguem tal permissão, para fazerem campanha e pedirem votos a candidaturas adversárias dos nomes de suas siglas.
Práticas e comportamentos equivocados, desrespeitosos. Agressividade que extrapola qualquer limite do bom senso, da racionalidade e da boa convivência partidária. Pois atinge, em cheio, o coração da agremiação, a ponto desta se vê quase nocauteada, tal como o boxeador que recebeu um potente direto no queixo. Tudo porque a dita agressividade desqualificou e ignorou a decisão da convenção. Convenção de cada partido. Foi à convenção que aprovou a lista de seus candidatos.
E uma convenção, claro, dá-se com filiados e militantes. Filiados e militantes em assembleia, cuja decisão deveria ser assegurada e defendida por todos do mesmo partido, ainda que haja, e sempre há quem discorde do seu resultado. Isto é estatutário. Estatuto que não pode ser rasgado, nem guardado em escaninhos como se fosse algo em arquivo morto. Quem não entende isso, jamais deveria assinar a ficha de filiação de uma agremiação.
Agremiação que, de eleição a eleição, sofre com as agressões. Sofre tanto que se tornou, há muito, infelizmente, apenas um local para carimbar o passaporte de alguém para ser candidato, até porque não se pode candidatar-se sem estar filiado, a menos que seja ou militar, ou delegado (não são filiados), e mesmos estes são obrigados a terem o aval de uma sigla, nomes aprovados em convenção e se apresentam a disputa ligados a ela (tema de outra discussão).
Por outro lado, não se tem partidos políticos fortes com essas práticas e comportamentos inadequados e agressivos ao processo democrático, ainda que se saiba que o jogo e a agremiação são personalizados. Situação que também requer outro artigo. É isto.
Lourembergue Alves é professor universitário e analista político.
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