Aldo Rezende Telles
Desse continente chamado Brasil, chegamos a mais de 215 milhões de cabeças de gado, dos quais pelo menos 80% tem sangue Nelore, quer seja puro ou anelorado. Vamos nos ater a Mato Grosso, berço da Associação dos Criadores Nelore (ACNMT).
Com 904 mil quilômetros quadrados, uma área do tamanho da Venezuela, o estado possui 3 biomas distintos: Pantanal, Amazônio e Cerrado, e como não existe a melhor raça do mundo e sim a mais bem adaptada, o desafio de conseguir produzir carne bovina com eficiência em todas as regiões é muito grande.
Os registros mostram que ao longo da história, mais de 1 milhão de bovinos das raças europeias, os chamados taurinos entraram no Brasil e apenas 6 mil zebuínos, mas o que vemos hoje é que mais de 80% do rebanho nacional tem sangue zebu, uma nítida comprovação que o gado indiano encontrou no nosso país seu oásis.
E dentre as várias raças zebuínas, 90% é Nelore ou "anelorado". Quando comecei a criar gado, há 50 anos atrás, não era possível definir a raça nos animais que comprava e hoje vemos o gado branco dominando as pastagens brasileiras, sobretudo, no Centro-Oeste. Mas o que será que essa raça tem que se adaptou tão bem à nossa realidade?
O Nelore tem todas as vantagens dos zebuínos: significativamente mais glândulas sudoríparas que o gado europeu, o que garante um melhor controle de temperatura em clima quente; glândulas sebáceas que secretam um líquido oleoso, couro solto e pelos curtos, o que ajuda muito na resistência mecânica ao ataque de ectoparasitas, como os carrapatos e bernes.
Bezerros de baixo peso ao nascer e a garupa levemente inclinada, o que facilita o parto;
E dentre todas aa raças zebuínas , o Nelore tem algumas particularidades que o tornam ainda mais competitivo nas condições de Mato Grosso, que é o pelo branco e a pele preta para o controle de temperatura e insolação.
Também têm vacas com Úbere e tetos pequenos com ótima habilidade materna, associados a bezerros espertos e ativos desde o nascimento, que mamam sozinhos logo nas primeiras horas de vida, o que gera imunidade e nutrição adequadas. Cascos pretos e fortes, que permitem que caminhem em condições adversas, como áreas alagadas e regiões pedregosas comuns nos biomas de Mato Grosso.
Reprodutores com testículos mais alongados que garantem melhor termo regulação e longevidade reprodutiva. O desenvolvimento da pecuária depois da entrada do zebu da Índia e das braquiárias da África conquistou o Brasil central e, particularmente, a raça Nelore se mostrou a mais bem adaptada em todos os biomas do estado.
Esse foi um bom começo, mas o Nelore não ficou estagnado, pois o gado que temos hoje é muito mais produtivo do que o que chegou amparado apenas pela seleção natural. Rigoroso critério de seleção, através de avaliações genéticas, provas de ganho em peso, genômica e multiplicação exponencial desses genes por meio da inseminação artificial e da produção in vitro de embriões popularizou esses animais melhorados.
O resultado é que aumentamos o peso das carcaças, diminuímos a idade de abate e a qualidade da carne. Avaliações por ultrassonografia têm auxiliado na identificação dos animais com melhor carcaça. O país conta hoje com diversos programas de melhoramento genético em rebanhos puros de origem ou através de certificados especiais de inspeção e produção.
Os produtos de cruzamentos industriais que atendem as grifes gourmet ou exportação de animais vivos têm no mínimo 50% de sangue Nelore e quanto melhor o Nelore, melhor o resultado de cruzamento. Para congregar esses criadores, sejam eles de PO, Ceip ou simplesmente animais para corte ou para base de cruzamento existe a ACNMT, fundada em 1994.
Sou um apaixonado pela pecuária, à qual me dedico exclusivamente há muitos anos. Como presidente da associação, eu me coloco à disposição para continuar expandindo cada vez mais a criação da raça Nelore, que é a raça do Brasil. Contem comigo!
Aldo Rezende Telles é pecuarista e presidente da Associação dos Criadores Nelore de Mato Grosso (ACNMT), neloremt@terra.com.br
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