Alfredo da Mota Menezes
Desde 2017 o Brasil tem um acordo com o Paraguai de combate ao tráfico de drogas e violência na fronteira entre os dois países. O acordo permite até força de segurança do Brasil, junto com os paraguaios, destruir plantações de maconha lá dentro. O Mato Grosso do Sul, por ser fronteira com o país vizinho, se beneficia desse amplo acordo.
Entre os motivos que fizeram os paraguaios aceitarem esse tratado se pode citar a presença crescente de fábricas brasileiras naquele país. O governo brasileiro, se quisesse, poderia atrapalhar essa movimentação. O que seria ruim para a economia do país vizinho. Como o Paraguai é membro do Mercosul, os bens produzidos ali por fábricas brasileiras podem ser vendidos no Brasil com taxação própria da integração econômica.
É tempo de um acordo desses entre Brasil e Bolívia. É tempo de Mato Grosso trabalhar junto com os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul que, juntos, têm mais de 3.400 km de fronteiras com a Bolívia. O Brasil com o Paraguai é bem menos disso ou 1.300 km.
Dados do momento levam a acreditar que esse acordo agora possa ocorrer. MT e MS serão compradores firmes do gás boliviano. MT caminha também para comprar toda a produção de ureia do país vizinho. Além da aproximação pela hidrovia Paraguai-Paraná.
Têm dados que mostram que um acordo desses é cada dia mais necessário. Alguns deles. Na Bolívia se podiam plantar até 12 mil hectares de folha de coca que lá, por tradição, se masca. Serviço de segurança dos EUA diz que se plantava em mais de 30 mil hectares, não somente em 12 mil.
O governo Evo Morales aumentou para 20 mil hectares o plantio legal de coca com a alegação de que a população tinha aumentado desde a lei de 1970 que instituía aquele número anterior de hectares. Acredita-se que o plantio ilegal agora vai muito além.
Tem outro dado nessa equação. Pessoas mais jovens do país não estão mais seguindo a tradição de mascar folha de coca. Tem excesso, portanto. Confrontado com isso gentes do governo disseram que esse excesso estaria indo para um refrigerante chamado Coca-Colla. Acredite se quiser.
Mais dados. Acabou a luta de guerrilha da Farc ou forças armadas revolucionárias colombianas. Boa parte da produção de cocaína dali era produzida em regiões dominadas pela Farc. Após o acordo de paz, forças de segurança do país entraram naquela região.
Acredita-se que parte da produção de coca dali possa migrar para a Bolívia. Motivo de preocupação regional. E o governo boliviano expulsou do país o DEA ou o departamento de combate à droga dos EUA que atuava lá dentro. O governo boliviano precisa de suporte nessa empreitada.
É tempo de buscar um acordo amplo de fronteira para ajudar no combate à droga, inclusive lá dentro da Bolívia, como ocorre hoje com o Paraguai. MT poderia liderar essa busca, primeiro com os estados que fazem fronteira com a Bolívia e depois, juntos, ir ao governo federal.
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br Site: www.alfredomenezes.com
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