Foto: Câmara Cuiabá
O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) não será ouvido na CPI criada na Câmara Municipal que investiga o gestor. Isso porque com apenas o voto contrário do vereador Marcelo Bussiki (PSB), os membros da comissão aprovaram o requerimento do presidente da Casa de Leis, Justino Malheiros (PV), para pôr fim à fase de oitivas.
A decisão ocorreu na manhã desta sexta-feira (9). Com isso, a CPI segue para a fase de elaboração do relatório final, mesmo com 71 dias para o fim do prazo dos trabalhos da comissão - e sem ouvir o prefeito Emanuel Pinheiro e seu irmão, Marco Polo Pinheiro, citado pelo próprio prefeito para justificar o dinheiro recebido do ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Sílvio Corrêa.
A oposição classifica como "manobra" a aprovação do requerimento, sendo articulada por Justino e que contou com o apoio dos vereadores Mario Nadaf (PV) e Adevair Cabral (PSDB), relator da CPI, que tentaram colocar o pedido de Justino para ser votado com prioridade. Com a negativa do presidente da CPI, vereador Marcelo Bussiki, ambos indeferiram todos os requerimentos feitos pelos vereadores para novas oitivas e nova produção de provas.
Ao todo, foram analisados 11 requerimentos, sendo deferido apenas o de Justino e o convite para a oitiva do prefeito Emanuel Pinheiro, mesmo após o advogado André Stumpf, da defesa do prefeito, anunciar que Emanuel não compareceria por orientação jurídica.
“Trazer o prefeito para que ele viesse confrontar quando um diz um fato a qual eu não concordo e eu digo que não tem prova que me comprove, então, por questões técnicas, a defesa orientou que o prefeito não viesse à CPI. Já estou adiantando a CPI”, disse o advogado.
Dentre os requerimentos negados estavam os pedidos para oitiva do ex-deputado José Riva, de Marco Polo Pinheiro, de Cleberson "Coxinha", além dos pedidos para quebra de sigilo bancário de Popó e telefônico de Valdecir Cardoso.
Para o vereador Marcelo Bussiki, único a votar em favor de todos os requerimentos, o encerramento das oitivas foi uma clara manobra dos dois membros da CPI, com colaboração do presidente da Câmara, para não investigar o prefeito. Adevair, Nadaf e Justino são aliados do prefeito Emanuel Pinheiro.
“O que ocorreu aqui é vergonhoso. Criaram obstáculos para a CPI a todo o momento. Todos viram as contradições e dúvidas levantadas na CPI e que ainda precisam de esclarecimentos. É mais um dia triste da Câmara de Cuiabá, que se omitiu e abriu mão de investigar o prefeito. É uma vergonha para a população”, afirmou.
Bussiki disse ainda que o que ocorreu não passa de uma “operação abafa” e requereu que o relator Adevair Cabral apresente um cronograma com a data de produção do relatório final, período para análise dos membros e votação em plenária.
“Eu quero ver até o relatório do vereador Adevair Cabral. Estou bem curioso, porque não acredito que, com tudo que aconteceu aqui, ele se deu por satisfeito quanto a novas oitivas e produção de provas. Quero esse cronograma, porque, como andam as coisas, ele apresenta o relatório na semana que vem e já votam, sem sequer analisarmos”.
Além disso, Bussiki afirmou que vai produzir um relatório paralelo e avaliar as medidas a serem tomadas, uma vez que ele já acionou a Justiça para obtenção de um mandado de segurança que o autorize a ter direito sobre as decisões da CPI.
“Acredito que essa mandado vai restabelecer o pleno e correto trabalho dessa CPI, pois desse jeito que as coisas aconteceram aqui é até uma vergonha falar que a Câmara é a Casa do Povo. A população não quer mais essa vergonha”, encerrou.
Outro lado
O prefeito Emanuel Pinheiro acentua que irá provar na Justiça que o dinheiro recebido de Sílvio Corrêa se referia ao pagamento de dívida de Silval Barbosa com seu irmão, Marco Polo, relativa à produção de pesquisa.
Com informações da Assessoria

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