Onofre Ribeiro
O Brasil saiu do regime militar de 21 anos e durante os anos seguintes manteve-se vítima de muitos métodos e atitudes tomadas naquele período. Algumas seqüelas são perenes e duram até hoje. Exemplo: o vácuo de lideranças políticas. A partir de 1964 o regime militar cuidou de eliminar lideranças no lugar onde elas mais floresciam desde 1946: nas escolas médias e nas universidades. Fechou e proibiu diretórios de estudantes. Perseguiu os que teimaram em continuar. Pessoalmente, estudei na Universidade de Brasília a partir de 1965, e vi os diretórios acadêmicos perseguidos e líderes como Honestino Guimarães sumiram sem deixar notícias.
Este artigo gostaria de começar a relatar as causas da atual desordem que vive o país e parte da herança que nos deixou os governos petistas.
Mas foram muitas as heranças dos militares e a maioria ainda sobrevive. Hoje vivemos a ressaca da passagem da chamada esquerda pelo governo nesses 13 anos. Na verdade, a esquerda não governou. Em seu nome um partido de sindicalistas tentou governar. Por detrás, fora criado lá em 1981 pela Igreja Católica, pelo próprio governo militar e por acadêmicos esquerdistas das universidades públicas, mais outros apoios. Usou a estrutura já existente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Paulo, e deu-lhe a feição de partido. Mas era governado não pelos sindicalistas semi-analfabetos que o dirigiam. Parcela da Igreja, de acadêmicos e gente do governo militar que não queria ver Leonel Brizola voltar do exílio e criar confusões na transição futura para o regime civil, que se daria 4 anos depois.
O país já tinha experimentado a direita no governo, com os militares, a centro-direita com o PMDB, a centro-esquerda com o PSDB. Nenhum salvara o país dos seus problemas. Faltava a esquerda. Ela veio em 2002, teleguiada de fora pra dentro do Partido dos Trabalhadores. Os mesmos atores e inspiradores: as comunidades eclesiais de base da Igreja Católica, setores da OAB, acadêmicos, e financiada pelo capital da direita: bancos, etc. Os mesmos que sempre financiaram todas as campanhas eleitorais.
O primeiro passo nessa direção veio na “Carta aos Brasileiros” onde o candidato Lula, em abril de 2002, rezou todos os versículos do Fundo Monetário Internacional – o FMI, em três pontos que o PT combatia: não rever as privatizações feitas no governo FHC, honrar a dívida externa do Brasil que o partido queria negar e manter a política de estabilização econômica e financeira do Plano Real. Divulgada amplamente a carta, a classe média aderiu à campanha de Lula à presidência, os financiadores também começaram a financiar. Mas os acadêmicos de esquerda começaram arrepiar com a “direitização “ do Partido dos Trabalhadores e com a cooptação de Lula ao sistema econômico nacional e internacional.
O assunto continua.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br

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