• Cuiabá, 15 de Fevereiro - 00:00:00

TRUMP E DÓLAR


Para Thiago Pettinato, superintendente de câmbio e trade finance da Multiplica Crédito & Investimentos:

Após a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, o mercado de câmbio brasileiro experimentou uma desaceleração no valor do dólar, que chegou a ser negociado abaixo de R$6,00. Durante essa semana, o dólar atingiu uma mínima de R$5,52, com a média da moeda em torno de R$5,58.

Esse movimento ocorreu em função do tom mais conciliador que Trump adotou em relação à China, especialmente no que diz respeito às tarifas que haviam sido um ponto de tensão anteriormente. Essa mudança na postura do presidente norte-americano foi interpretada pelo mercado como algo positivo para o Brasil, uma vez que a redução de tensões comerciais pode refletir diretamente em um ambiente mais favorável para a economia brasileira. No entanto, vale ressaltar que isso não exime o Brasil de tomar as devidas providências em áreas cruciais, como a tributária e fiscal, para garantir uma economia mais estável.

Em 2024, o Brasil já havia enfrentado grandes desafios com o dólar, que alcançou patamares recordes, chegando a R$6,25. Nesse período, o Banco Central realizou várias intervenções no mercado de câmbio, com leilões que chegaram a atingir R$8 bilhões em um único dia, com o objetivo de tentar estabilizar a moeda e evitar uma depreciação ainda maior do real. A meta estabelecida para um valor "aceitável" do dólar foi de R$6,11, mas essa cifra já se mostrava vulnerável, dada a volatilidade do mercado cambial. Se tivéssemos uma maneira de prever os movimentos do câmbio com precisão, muitos se arriscariam a apostar que isso levaria a ganhos financeiros significativos. Mas, no entanto, o mercado de câmbio é muito mais complexo e difícil de prever com exatidão.

Quando se observa o comportamento de Trump, é importante notar que ele é um líder pragmático. Mesmo com as tensões comerciais com a China, ele reconhece a importância da parceria estratégica com o país, especialmente no que diz respeito ao fornecimento de tecnologia e produtos como os chips, cuja produção é fortemente concentrada em Taiwan. No entanto, o Brasil também vive um momento delicado de incerteza, com o governo enfrentando dificuldades internas que refletem no mercado financeiro. Ao longo de 2024, o Banco Central seguiu atento à oscilação do dólar, intervindo quando necessário, e o governo adotou diversas medidas, incluindo pacotes de normas fiscais, na tentativa de controlar a dívida pública e restaurar a confiança dos investidores.

Atualmente, o dólar se encontra em um patamar mais favorável para o importador, o que representa uma boa oportunidade para empresas que dependem de produtos estrangeiros. Porém, considerando que o Brasil é um grande exportador de commodities agrícolas, um dólar mais forte é benéfico para as exportações, já que ele torna os produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional. O ideal, portanto, é que o valor do dólar encontre um ponto de equilíbrio que seja vantajoso tanto para os exportadores quanto para os importadores. Além disso, é importante lembrar que a dívida pública do Brasil também está atrelada ao valor da moeda, o que significa que, quando o dólar está mais alto, a dívida externa do país tende a aumentar.

Do ponto de vista pessoal, acredito que o dólar pode chegar a um patamar de equilíbrio em torno de R$5,40, embora alguns especialistas do mercado acreditem que valores entre R$5,50 e R$5,60 seriam mais adequados para esse equilíbrio. Esses valores estão dentro das expectativas de um câmbio que seja favorável para ambos os lados da balança, importadores e exportadores.

Em síntese, o Brasil está em um processo contínuo de recuperação da confiança dos investidores. Para isso, é importante manter a estabilidade cambial e continuar com intervenções pontuais quando necessário, a fim de preservar um patamar de dólar que seja viável para a economia como um todo. Em 2024, o país enfrentou um recorde de saída de dólares, com mais de R$18 bilhões deixando o Brasil, uma situação que nos remete à crise fiscal de 2020, quando a incerteza quanto à gestão fiscal gerou uma depreciação abrupta do real. Atualmente, o dólar está em um nível mais aceitável, mas a qualquer momento o cenário pode mudar, e o Brasil precisa continuar avançando em medidas fiscais e tributárias para garantir um ambiente econômico mais estável e confiável.

 

Fonte: Assessoria




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