Luciano Vacari
O crescimento populacional mundial e necessidade de produção de alimentos em grande escala fizeram com que a agricultura passasse a adotar tecnologias e métodos de produção que visavam apenas o desempenho produtivo. Era necessário produzir cada vez mais para alimentar um planeta cada dia mais faminto.
Mas o modelo de produção de alimentos, fibras e energia passou nos últimos anos por uma verdadeira revolução no Brasil. Tanto a agricultura, como a pecuária, deram saltos de produtividade que seriam inimagináveis a algumas décadas atrás. Passamos pela revolução verde, multiplicamos a quantidade produzida por hectare, mitigamos gases de efeito estufa com as tecnologias de emissão de carbono e hoje avançamos rumo à agricultura regenerativa.
A arte de cultivar a terra, ou a agricultura regenerativa, é um conceito de atividade milenar, que através de um conjunto de técnicas, métodos e procedimentos que viabiliza a produção de alimentos garantindo não só a preservação, mas também a regeneração dos ecossistemas, ou seja, é a capacidade de produzir alimentos e matéria-prima oferecendo concomitantemente condições de recuperação à natureza.
Mas esse processo deve ser gradativo, constante e principalmente, com método. Temos que manter o processo evolutivo permitindo a regeneração dos ecossistemas, validando os estágios da unidade de produção e atestando sua transição de uma agricultura convencional para uma agricultura regenerativa.
É necessário manter todos os ciclos hidrogeoquímicos e não apenas o carbono no solo. É um conceito mais amplo. As tecnologias preveem que a produção de alimentos aumente, por exemplo, a quantidade de água disponível no solo e garanta a continuidade dos ciclos.
A utilização de biológicos, por exemplo, é um pilar estratégico, com uma trajetória que passa pela redução de produtos químicos para buscar soluções que aumentem a produtividade e literalmente imitem processos da natureza. São soluções baseadas na natureza.
Há ainda um outro pilar fundamental na agricultura regenerativa: as pessoas. Todo esse modelo produtivo deve, necessariamente, melhorar a renda das famílias, aumentar a produção de alimentos, sempre olhando para a segurança alimentar, criando conexões entre o campo e a cidade e melhorando a vida das pessoas.
A agropecuária brasileira pode ser líder nesse novo conceito, mas é preciso comprovar isso. Mensurar, reportar e verificar o que ocorre antes e depois de utilizar tecnologias regenerativas, por isso, as certificações e processos de garantia são tão importantes.
Essa prática milenar significa uma volta ao passado, buscando na natureza soluções e caminhos para a agricultura moderna. Manter a biodiversidade é fundamental nas paisagens agropecuárias. Isso se dá por meio da produção com conservação e aumento da fauna e flora nativa.
Parece um mundo perfeito e distante não? Mas é o que garantirá a continuidade da produção e produtividade nas próximas décadas. Já fizemos mais, mas chegou o momento de fazer cada dia melhor. Mais do que preservar, é necessário regenerar.
*Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor
INSS terá fila nacional para reduzir tempo de espera
Software: TJ mantém bloqueio de conta de jogo eletrônico
Estado anuncia redução do ICMS da cesta básica em 2026
Os leprosos dos dias de hoje são os descapitalizados
Lei do salário mínimo, que faz 90 anos, organizou relações de trabalho