Onofre Ribeiro
Alguns fatos chamaram a minha atenção sobre a existência de dois Brasis. Um, do litoral e dos grandes centros. Outro, o Brasil do interior. Brasis urbano e Brasil rural. Cada vez mais os dois estão se comunicando menos. Um cresce e segue segundo as suas percepções de produzir e de viver. Outro, o urbano, se conflita cada vez mais na insegurança, nas incertezas e nos conflitos sobre si e sobre quem o dirige e governa.
Vamos lá. O STF proibiu projetar uma ferrovia indispensável ao Brasil rural. Uma ilha urbana fechada dentro de si mesma travando a ilha rural que produz e exporta. A ministra do Meio Ambiente chama os produtores do Brasil rural de “ogros”. O presidente da República classifica os produtores do Brasil rural de fascistas” e de “gigolôs dos trabalhadores”. Os ministros detestam o que não está em Brasília.
O Brasil do litoral e das metrópoles/megalópolis está terrivelmente conflitado. Qualidade de vida cada dia pior. Violência e insegurança. Desemprego. Perda de referência de identidade e de liderança. O Brasil rural produz, trabalha em cima de valores como o trabalho, família, progresso, noção de pátria e de valores da fé. Ao redor desse tipo de produção as cidades crescem, se desenvolvem e a qualidade de vida é boa. A renda se concentra na cúpula, mas grande parte gira nas cidades através do comércio, da indústria e dos serviços. A geração de riqueza sempre produziu o giro e o crescimento da renda.
Já o Brasil urbano vive em ilhas onde predomina a desigualdade. Na mansão do burocrata federal, estadual ou do grande empresário, a diarista ganha salário mínimo num ambiente de milhões e milhões acumulados e parados na especulação financeira. Ou, em Brasília, onde um Brasil fictício faz leis, gere um país desconhecido e prega normas saídas da cabeças do burocratas que não distinguem nada além da sua bolha de prosperidade. E cultivam a corrupção como um valor coletivo. Que não é. É, lá. No rural, não! O exemplo da ferrovia Ferrogrão é rigorosamente o exemplo do Brasil das bolhas da burocracia. Elas existem em todos os cantos de Brasília.
Enquanto isso, os dois Brasis caminham caminhos diferentes. O litoral em conflito imenso. O rural sustentando a parte mais efetiva da economia do país. São pessoas completamente diferentes nos dois ambientes. Uns com esperança, outros sem esperança.
Nem falei da polarização política que é outro fator de separação dos dois Brasis. O interior é de direita. O urbano é de esquerda. Não enxergo meio termo nesses próximos dez anos...!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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