Alfredo da Mota Menezes
As obras do Hospital Central em Cuiabá ficaram paralisadas por 34 anos. É um daqueles absurdos que marcam a história do estado. Como no caso também do Hospital Júlio Muller.
Como é que pode começar obras e não terminá-las e ainda por cima de hospitais de importância como estes. Era comum no estado um governo começar uma obra, algumas vezes no final daquele mandato, não terminava, deixava para quem entrasse no próximo mandato.
O novo governo podia ser adversário político daquele que saia. Não iria terminar a obra porque quem iria faturar politicamente perante a opinião pública foi aquele que iniciara a obra.
Veja o caso do hospital Júlio Muller. Ao redor do hospital iriam as Faculdades de Medicina, Enfermagem e Nutrição da UFMT, ali no inicio da estrada para Santo Antônio do Leverger. Um distrito especial de saúde na capital. A obra foi interrompida e agora deve ser terminada. Também o Hospital Central está sendo concluído agora.
O que encabula nisso tudo é que nada e nem ninguém foi punido, nem mesmo perante a opinião pública ou pelo voto numa próxima eleição. A coisa só ficava nos fuxicos políticos. E a maior parte da população, que iria se beneficiar dessa ou daquela obra, sofre as consequências.
Era uma tradição perversa no estado essa coisa de não terminar obra. Como e porque começar uma obra se sabe que não teria dinheiro suficiente para terminá-la? E o governante que saia muitas vezes iria dizer que deixara dinheiro em caixa para o sucessor terminar a tal obra. Conversa fiada.
A sociedade ficava sem saber para quem apelar. Quem defenderia ou defende o interesse público no caso de obras inacabadas? Deveria ter algo na esfera pública para seguir casos assim
Mas, sei lá, como funcionava a coisa, aqui em outros estados, não daria certo também. É que pessoas desses órgãos são nomeadas pelo governo do momento. Será que indicados iriam contra aquele que o nomeou e apontaria o dedo para insanidade como esta de começar obra e não concluir nesse ou naquele governo? .
O Tribunal de Contas do Estado ou, se tiver dinheiro federal, também o da União, deveriam saber se aquele governo deixou ou não dinheiro em caixa para terminar uma obra.
Se não for competência direta do Tribunal de Contas assuntos como esse, onde a sociedade poderia apelar no caso de se iniciar obra e sem justificativa a abandonar sem terminá-la? Onde, afinal ancorar essa bronca da sociedade?
O mais sugestivo é que quem começa obra e não termina não era punido nem com o voto na próxima eleição. Aliás, iria dizer que começou e foi o outro que não a terminou. E, como já dito, até diria que deixara dinheiro para isso.
Não parece uma sociedade de idiotas a que vivemos por anos neste estado? E a classe política, desse ou daquele momento, rindo de você e do outro idiota aqui também.
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

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