Claiton Cavalcante
A aproximadamente três anos que uma das teorias de Alfred Adler tem se convertido na prática aqui pelas bandas do centro-oeste brasileiro. Curioso é que não é o protagonista que sente os sintomas, mas sim os coprotagonistas.
É atribuído a Adler os estudos sobre o complexo de inferioridade, que aqui no texto denominarei de síndrome de pequenez, que segundo ele é um sentimento enraizado na experiência de fraqueza, desamparo, dependência por outrem, e intensificada por comparações com outros.
Pois bem, após mais de três décadas o estado de Mato Grosso voltou a ter um time na elite do futebol brasileiro e de uns três anos para cá tenho ouvido com certo grau de superlatividade, seja de amigos, torcedores cuiabanistas, amantes do futebol, da imprensa local e mais ainda da imprensa nacional de que o time do Cuiabá está com os dias contados para o descenso.
Por que isso acontece? Seria o time cuiabanista, realmente, mero coadjuvante diante de gigantes do futebol? Tal qual, coadjuvante por coadjuvante, o que dizer então, nos dias atuais, de times como Goiás, América, Coritiba, Bahia, RB Bragantino e até mesmo Vasco da Gama? Ou seria pequenez por parte da própria estrutura do time do Cuiabá e de seus torcedores?
Creio que seja um misto de ambos, porque as duas partes possuem parcela relevante quando o assunto é desvalorização do debutante da elite do futebol brasileiro.
Vejamos, os torcedores ao invés de enaltecer, orgulhar-se, ficar feliz, convidar familiares e amigos para ir à Arena Pantanal para torcer e defender o Dourado e até mesmo para aporrinhar o árbitro e adversário. Não. Ele prefere assistir os jogos passivamente.
As vezes chego a pensar que aquilo seja um templo religioso, tamanho é o silêncio do torcedor cuiabanista. No jogo entre Cuiabá e Grêmio, o painel eletrônico da Arena divulgou pouco mais 22 mil torcedores, desses, pouco mais 2 mil eram torcedores do time gaúcho e curiosamente esses poucos gremistas faziam mais barulho do que os 20 mil cuiabanistas.
A síndrome de pequenez é ruim. Temos que parar com a verbalização do tipo "dessa vez o time cai", "esse ano não escapa" e tantas outras falas pejorativas. Tal comportamento, por parte de muitos, prejudica deleteriamente aquele que está proporcionando momentos de alegria, distração e levando o nome da Cidade e do estado de Mato Grosso para o cenário mundial, pois o campeonato brasileiro da Série "A" será transmitido, em 2023, para mais de 145 países.
Os torcedores e demais envolvidos tem que pensar que o Cuiabá é um time com pouco mais de 20 anos de idade, jogando contra times centenários de tradições seculares.
E mesmo com toda essa jovialidade, tem brigado firme e forte até de igual para igual contra os gigantes. A diretoria do Dourado, às vezes, merece elogios face sua visão empreendedora. Erra? Claro que erra. Assim, como erra a diretoria do Flamengo, como erra a diretoria do Palmeiras, como errou a diretoria do Atlético Mineiro e tantas outras.
Então, ao invés de criticarmos, vamos dar nossa parcela de colaboração indo à Arena para incentivar nosso representante na elite do futebol.
Pois, o povo mato-grossense foi durante 36 anos, desde a época do Operário várzea-grandense, carente de um time na elite do futebol nacional. E quando esse tabu é quebrado, o que acontece? Há 3 anos o que se vê é uma Arena praticamente vazia.
O grande palco do futebol mundial, proscênio de Copa do Mundo, só recebe público considerável quando pelo seu gramado desfilam os grandes do nosso futebol. E isso só acontece porque nos assentos destinados, em tese, ao torcedor cuiabanista estão também torcedores "infiltrados".
Ou quem não assistiu Cuiabá e Flamengo ou Cuiabá e Grêmio ou Cuiabá e São Paulo ou Cuiabá e Palmeiras? A maioria dos que ali estavam nos assentos destinados ao Dourado, eram sem sombra de dúvida, torcedores adversários.
Por que isso acontece? Ingresso caro para o torcedor adversário? Talvez. Ou seria a pequenez por parte dos responsáveis face a ausência de verificação mais aguçada nas catracas com o intuito de impedir o acesso à Arena de torcedores com camisa de outros times?
Ou seria menosprezo do próprio torcedor cuiabanista? Visto que as vezes a diretoria do clube disponibiliza ingressos ao valor de 10 reais e mesmo assim, aparecem na Arena poucos gatos-pingados.
E por falar em pequenez, vai um alerta para o cerimonial do time cuiabanista.
Pois, basta ter jogo contra um time de maior expressão, que os envolvidos na organização deixam transparecer a falta de know-how em organizar grandes eventos. Ou quem nunca ficou irritado aguardando intermináveis minutos em filas quilométricas para adentrar a Arena?
Ou quem, indo com seu veículo não ficou minutos e minutos se estressando porque não tinha como se movimentar nas redondezas do palco futebolístico?
E mais, quem não se estressou em seus veículos na saída da Arena quando do término dos jogos? O estacionamento além de amador e não trazer nenhuma segurança para o veículo ali estacionado, é uma verdadeira prova de paciência para o motorista quando na saída da praça esportiva. Na vitória o motorista até sai feliz, já na derrota...
Para sanar essas falhas, não seria razoável durante a realização de grandes jogos contratar empresas com conhecimento prático para administrar os pontos falhos elencados?
Então, que fique a reflexão para extirparmos a síndrome de pequenez e que imprensa, torcedor e dirigentes do nosso Dourado passem a pensar grande assim como é o Cuiabá Esporte Clube.
Oxalá! Quero ver o Cuiabá novamente o ano que vem na Série "A", quiçá na Copa Libertadores da América.
Por fim, a boa notícia é que segundo o próprio Adler, os sentimentos de inferioridade não são um sinal de anormalidade, eles são a causa de toda melhora na condição humana.
Claiton Cavalcante/Contador/Membro da Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis.

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