O Brasil vai produzir seis bilhões de litros de etanol de milho na safra 2023/2024, que se inicia em abril, um aumento de 36,7% em relação ao ciclo 2022/2023, que se encerra agora em março. Mato Grosso segue como maior produtor do biocombustível e deverá produzir 4,16 bilhões de litros na safra 2023/2024, alta de 28%. Em Mato Grosso do Sul, etanol de milho deverá totalizar 1,14 bilhão de litros, 61% a mais do que na safra 2022/2023. A projeção para Goiás é de 656 milhões de litros, incremento de 59%. Os demais estados deverão produzir 36 milhões de litros de etanol de milho.
O setor do etanol de milho terá capacidade instalada e espera produzir seis bilhões de litros de etanol anidro e hidratado na safra 2023/2024, um incremento de 1,5 bilhões litros na capacidade atual de produção e oferta.
De acordo com Guilherme Nolasco, presidente-executivo da Unem, ao analisar os últimos seis anos, é possível ver um crescimento exponencial do setor, que saiu de 520 milhões de litros de etanol de milho na safra 2017/2018 para seis bilhões de litros. “Mesmo com todas as adversidades enfrentadas por efeitos como pandemia, redução da atividade econômica, políticas tributárias e processo eleitoral, deveremos fechar a próxima safra com crescimento de 1.053% em relação a 2017. Hoje, em 31 dias de operação, temos capacidade de produzir o que se produziu todo o ano de 2017”, comemora o executivo da Unem.
O próximo ano safra de etanol deve iniciar com 20 indústrias autorizadas para produção localizadas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná e São Paulo, duas a mais do que no ciclo 22/23. O aumento da capacidade produtiva é resultante da incorporação de tecnologia nas unidades já em operação, ampliação de algumas indústrias e inauguração de novas unidades. Em 2022, a Inpasa, grupo com atuação no Paraguai e no Brasil, iniciou a operação da unidade de Dourados (MS) e dobrou a capacidade produtiva no mesmo ano. Neste primeiro semestre de 2023, a Inpasa deverá duplicar a capacidade da planta de Nova Mutum (MT) e estão construindo a refinaria na unidade sul-matogrossense. A indústria ALD BIO vai aumentar a produção em Nova Marilândia (MT).
Além disso, o grupo FS Bioenergia iniciará a operação de sua terceira unidade, localizada em Primavera do Leste (MT) no início da safra 23/24 e em fevereiro uma unidade flex passou a operar em Quirinópolis (GO) .
A Neomille, do Grupo Cerradinho Bio, deverá iniciar a produção de etanol de milho em Maracaju (MS) até meados da safra 23/24, completando o quadro com 21 indústrias autorizadas a produção, entre unidades flex (que produz a partir de cana-de-açúcar e de milho) e unidade de dedicação exclusiva a processar o etanol a base de cereal.
Maior Participação – O etanol de milho passou de complementar para estratégico dentro da cadeia de biocombustíveis carburantes (utilizados em automóveis). A participação do derivado de cereal passará de 13,7% da atual temporada para 19% do total de etanol consumido no país. Na safra atual, o etanol de cana-de-açúcar deverá produzir 27 bilhões de litros.
“Com capacidade de armazenamento do milho, as indústrias produzem ao longo de todo o ano. Dos 365 dias, as unidades fazem uma parada técnica de 10 a 15 dias apenas. Com isso, cada unidade produz grandes volumes e há uma oferta linear de combustível no mercado, atenuando a sazonalidade de produção do etanol de cana-de-açúcar, garantindo o abastecimento e diminuindo as grandes oscilações de preços”, explica Guilherme Nolasco.
Desafios - Com o aumento de custos de produção, puxado principalmente pela valorização e incremento de preços do milho nos últimos anos, as indústrias investem para melhoria de processos produtivos e incorporação de tecnologia. Outro ponto importante para a viabilidade do setor foi o equilíbrio proveniente dos produtos de nutrição animal (DDG/ DDGS/ WDG). “Ter armazenagem e expertise para operar o mercado a termo e spot do milho, eficiência produtiva e economia de escala são as regras básicas para este negócio. É imperativo nos dias atuais produzir mais de 430 litros de etanol por tonelada de milho em um fluxo otimizado. Por isso a performance industrial é tão importante para garantir a expansão dos negócios”, afirma Nolasco.
Por trás das indústrias, existe toda uma cadeia de tecnologia para garantir melhor eficiência operacional. Setores de automação industrial e de enzimas e leveduras têm investido para expansão dos negócios no Brasil. Recentemente, a ICM,Inc, anunciou a abertura do escritório no país. As tecnologias da ICM representam mais de 70% do mercado norte-americano e mais de 35% da produção mundial de etanol, incluindo todos os tipos de matérias-primas. Isso representa mais do que todo o etanol produzido na América do Sul. Até hoje, a empresa projetou e construiu mais de 108 plantas novas e otimizou mais de 35 outras plantas existentes.
"Acreditamos que o Brasil oferece uma grande oportunidade para a produção de biocombustíveis e farelo animal. E estamos aqui para ficar”, afirma Issam Stouky, diretor global de desenvolvimento de negócios da ICM.
Ano passado, a IFF, que atua com soluções para alimentos, bebidas, saúde, biociências e fragrâncias, anunciou a inauguração de um laboratório com recursos para o desenvolvimento de aplicações para biocombustíveis em seu centro de inovação no Brasil. Na instalação, localizada em Barueri (SP), a IFF busca apoiar projetos de inovação que aumentem o rendimento, acelerem a fermentação, reduzam o consumo de energia e de produtos químicos e contribuam para inovações operacionais na indústria de etanol.
A Novozymes para América Latina inaugurou em outubro de 2022 uma nova planta de leveduras no Brasil. A unidade, localizada no Paraná, tem capacidade para suprir a demanda do mercado de etanol de milho da América Latina e está conectada com as projeções de expansão do setor para os próximos anos, que vai atender à crescente demanda por biocombustíveis.
A Lallemand, indústria canadense de o desenvolvimento, produção e comercialização de leveduras, bactérias e ingredientes especiais também tem presença forte no país, com uma fábrica instalada no interior de São Paulo.
Valorização de ponta a ponta - O setor de etanol de milho deverá agregar valor no processamento de 14 milhões de toneladas de milho para este próximo ano safra, o que representa 11% da produção nacional do cereal segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que é de 125,8 milhões de toneladas na safra 2022/2023.
“A transformação de excedentes exportáveis de milho, estimados em 45 milhões de toneladas, em biocombustível, produtos para nutrição animal e cogeração de energia, ativa uma economia circular sem precedentes com importante responsabilidade e participação nas agendas globais de aumento da produção e oferta de alimentos, transição energética e descarbonização”, afirma Guilherme Nolasco.
Diferente do etanol de milho produzido nos Estados Unidos da América, o Brasil possui externalidades únicas da agricultura tropical que permitem produzir alimentos, biocombustíveis e fibras em sistema de rotação de culturas e plantio direto, viabilizando de duas a três safras em um mesmo ano, segregando insumos, compartilhando operações e otimizando a rota e o uso do solo. “O Brasil precisa incorporar a narrativa do ‘food and fuel’ , pois o etanol de milho de segunda safra trouxe renda e previsibilidade ao produtor rural , possibilitando o aumento na área plantada e a produtividade sem a necessidade de incorporar novas áreas de fronteiras para a exploração”, defende o presidente-executivo da Unem.
Para completar o ciclo, os farelos de milho possuem importante papel na intensificação da exploração pecuária, reduzindo a idade de abate, aumentando o peso e melhorando a qualidade das carcaças. Com isso, é possível disponibilizar áreas de pastagem de baixa produtividade ao cultivo de grãos em um círculo virtuoso de produção sustentável.
Outra cadeia beneficiada pelo setor de etanol de milho é o de florestas plantadas. O eucalipto é utilizado para a geração de vapor e energia para a produção de etanol e cogeração para o sistema nacional, diferente de outros países que se utilizam de matriz fóssil para a geração de energia para a produção de etanol.
“Por tudo isso, o Brasil tem a oportunidade e a vocação para a produção de alimentos, energia limpa e renovável, integrando setores primários com a agroindústria sem que haja concorrência e sobreposição de interesses. Nesse negócio cabe a agricultura familiar, o pequeno, médio e grande produtor sem distinção, de forma equilibrada e sustentável, completa o executivo.
Investimentos futuros – A Unem defende a construção e o fortalecimento de políticas públicas que fomentem o desenvolvimento e consolidação de programas como o Renovabio, uma experiência bem-sucedida no mercado de carbono, mas que ainda carece de estabilidade para garantir previsibilidade aos investidores.
“Temas como política monetária, Reforma Tributária e Renovabio são essenciais para a manutenção dos investimentos feitos e aqueles que estão por vir. Juros exorbitantes desestimulam os investimentos e a atividade econômica. Não podemos viver em insegurança jurídica, precisamos de previsibilidade e tratamento tributário diferenciado aos biocombustíveis conforme previsto na constituição, além da necessidade do fortalecimento do Renovabio”, defende Guilherme Nolasco.
Nos últimos seis anos foram investidos mais de R$ 15 bilhões no parque industrial de etanol de milho em usinas flex e full, além de outros imensuráveis investimentos agregados em armazenagem, tancagem, logística rodoferroviária, termelétricas para cogeração de energia e sistemas de produção e suprimento de biomassa, entre outros.
Números do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam um volume superior a 10 bilhões de litros de etanol para 2030, sendo necessário outros 15 bilhões de investimentos para alcançar este conservador desafio.
“Para a safra 2023/2024, além de todo ativo ambiental imensurável, o setor tem a possibilidade de transacionar 14 milhões de toneladas de milho, resultando em faturamento superior a R$25 bilhões em biocombustível, produtos para a nutrição animal e energia, agregando diretamente mais de 50% de valor ao milho in natura exportado, além dos impostos, empregos e riquezas indiretas as outras cadeias de produção e setores de comércio e serviços transformados pela chegada desta indústria”.
Da Assessoria Unem

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