Luciano Vacari
O Brasil ainda é um país muito pouco competitivo no sistema financeiro, onde raras instituições dominam a maior fatia do crédito rural disponível. Isso engessa e onera o dinheiro, limita o acesso global e burocratiza a operação.
Mas o que grande parte dos empresários rurais ainda não sabe é que eles não precisam mais esperar o plano safra, percorrer de banco em banco ou até mesmo comprar aquele monte de seguros e títulos de capitalização para tentar aprovar um financiamento.
O agronegócio se aproxima da sua nova revolução tecnológica, que extrapolou a fronteira da propriedade e chegou ao caixa das empresas rurais. Estamos falando da disrupção do crédito, que vai eliminar os antigos manuais de crédito, modernizar o sistema e tonar o dinheiro barato, acessível e melhor, chegará na hora certa.
Por exemplo, nas fintechs, as startups do setor financeiro, investidores e contratantes estão mais próximos e com menos intermediários. Isso reduz a burocracia, o custo do dinheiro, antecipa o tempo de liberação e ainda garante maior liberdade aos produtores, que não precisam vincular suas propriedades ou produções aos financiamentos.
Ainda tem mais por vir.
Com a aprovação do Fiagro, Fundos de Investimento para o Setor Agropecuário, haverá mais as alternativas de financiamento e de diferentes naturezas, como títulos agro ou veículo de investimentos de private equity em sociedades limitadas e companhias fechadas do setor, é uma revolução.
A aplicação do dinheiro também ganha mais alternativas, podendo ser aportado na aquisição propriedade, em sociedades ou em ativos financeiros e títulos de crédito. As garantiras estão se modernizando. A tecnologia conecta os perfis afins de investidores e captadores de crédito e permite o compartilhamento de dados, como o acompanhamento da produtividade ou das transações comerciais.
Outra possibilidade aprovada recentemente foi de colocar como garantia apenas parte da propriedade, ou seja, é possível vincular ao crédito contratado uma área ou bens que tenham valores proporcionais ao que foi contratado.
Enfim, as possibilidades são infinitas e o processo de disrupção de crédito está apenas no começo.
É preciso abrir a cabeça. Desapegar do papel e da caneta, organizar a gestão do negócio, e permitir o acesso a dinheiro sem burocracia, com taxas competitivas e com a liberdade para aplicar como e onde for mais vantajoso para o produtor.
Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria.

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