João Edison
O termo laranja consta no processo eleitoral desde que passou existir obrigatoriedade de uma proporcionalidade de candidatos por gênero dentro dos postulantes aos cargos proporcionais, chamado de cota para mulheres, que na verdade incluiu a palavra “mulher” justamente por ser preterida do processo de poder no país. Fato que faz com que vários crimes sejam cometidos no sentido de registrar o nome de candidatas que não fazem campanha e muitas vezes sequer votam em si mesmas.
Agora que estamos entrando no período de caça ao eleitor com algumas mudanças de regras. O que vai impactar no comportamento do eleitorado em geral talvez não seja o coronavirus e suas restrições, mas o chamado novo normal. Com o fim das coligações na proporcional houve a necessidade partidária de aumentar o número de candidatos (homens e mulheres) para preencher todas as vagas disponíveis dentro do partido. Com isso tivemos um crescimento exponencial de pleiteadores a vaga no legislativo.
Preencher os 30% das vagas destinadas ao gênero já era um enorme problema no Brasil como um todo, muito pela falta de políticas de formação partidária. O motor responsável por esta dificuldade é o fato de partidos terem donos que só pensam na manutenção do seu próprio poder, porque dinheiro chega todo ano para formação partidária. Mas propositalmente não fazem o dever de casa.
Quando chega a eleição preenchem com candidatos laranjas (mulheres) só para constar na lista e aumentar o número de vagas para incluir candidatos homens. Com o fim das coligações teremos outros (as) laranjas (mulheres) e mexericas (homens) que estão sendo convocados para serem candidatos apenas com o intuito de serem escadas para os mais fortes obterem o cociente eleitoral necessário.
Está acontecendo um aumento no número de candidatos super despreparados que fatalmente farão diminuir a qualidade, que já era péssima. Isso trará um único benefício: vai diminuir drasticamente a “renovação” das Câmaras de Vereadores. Cai o cociente eleitoral e quem já tem poder será favorecido.
Só que os homens estão mais para mexiriqueiros que para laranjas. Isso fará o número de denúncias crescer enormemente no durante e pós eleição. Mas uma coisa é certa: quem está no processo não é inocente porque “o rosto enganador deve ocultar o que o falso coração sabe” (William Shakespeare).
Com aumento entre 50% a 60% de candidatos importunando, o cidadão sofrerá, uma vez que aumentará também a quantidade de disparates e absurdos que teremos que ouvir, somados a super dosagem de mensagens invasivas, abusivas e insistentes via rede social que farão a democracia retroceder. O eleitor vai adoecer pelo incomodo e por excesso. Poderia ser educativo, mas está mais para desastroso. Não se assustem se pós eleição aumentar os pedidos por um regime autoritário. A democracia tem disso. As vezes ela gera seus próprios monstros.
João Edison é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso.
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