Onofre Ribeiro
Neste momento um amplo frisson sacode o Brasil. De um lado, o vírus com todo o seu contexto. De outro, o contexto político. E um terceiro, que é o contexto da sucessão de despreparos do país pra lidar com o inesperado.
Porém, o problema se desdobra em muitas faces. A primeira, é a questão da saúde que o vírus atinge diretamente. A segunda, é o grande despreparo das estruturas públicas pra lidar com questões de qualquer espécie. Temos um Estado sucateado. Além de sucateado, caro e descompromissado com a sociedade. Vive pra se autosustentar pirateando os seus cidadãos.
Dentro das estruturas do Estado temos as corporações previstas na Constituição, entre as quais os partidos políticos e o poder Legislativo. Conflitados dentro da mesma Constituição, um avança poderes sobre o outro. E dentro, figuras como Davi Alcolumbre, Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro na linha de frente. Entre outros tantos e tantos.
O vírus rodou, rodou, e ancorou dentro da política onde sucessivos redemoinhos de interesses determinam o tamanho da crise onde não precisa existir uma crise além da emergência.
Neste exato momento, as crises são institucionais a partir do Estado. Cá fora uma sociedade atingida pelos desdobramentos, assiste brigas desonestas ou infantis indicando os rumos de um problema que era sanitário e agora é político. Portanto, caro e insolúvel. Ao Estado interessa não resolver o problema, porque ele rende desvios, muitas verbas e distribuição de interesses.
Porém, passa. A História do Brasil mostra sucessivos fatos em épocas diferentes que tiveram a mesma sequência de desvios e de empobrecimento na resolução. Mas passaram. Esta também passará. Contudo, o mundo inteiro vive a mesma crise. Cada país trata-a ao seu modo. O Brasil, ao seu: desorganizado e desvirtuado. Quem viveu o Plano Cruzado, no governo Sarney, em 1986, viu o caos instalado. Passou. Em, seguida, menos de cinco anos depois o Plano Collor. Um desastre absoluto. Violento e desonesto. Sem pé nem cabeça! Ambos e outros passaram antes e passaram depois.
Não há de ser agora que não passará. Ao leitor que lê estas linhas, saiba que a História é poderosa. Ela supera o tempo e os homens. E já superou tempos mais difíceis e homens mais consistentes. É só uma questão de tempo e de fé em nós mesmos!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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