Gisela Cardoso
Mais do que uma data festiva, o dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, representa uma história de luta. Ao longo dos anos, os importantes, mas ainda insuficientes, avanços conquistados acabaram por ofuscar o real significado da data, algo que precisa ser lembrado por conta de tantas mazelas e fatos a se lamentar.
Antes de falar dos dias atuais, é de fundamental importância recordarmos o que motivou a escolha de um dia para lembrarmos das lutas das mulheres de todo o mundo. A definição de uma data se deu após diversas manifestações de mulheres em várias partes do planeta, exigindo melhores condições de vida, trabalho e direito ao voto. Estes movimentos ocorreram com mais intensidade no final do século XIX e no início do século XX.
Um dos primeiros documentos a reconhecer a igualdade entre homens e mulheres foi justamente a Declaração Universal dos Direitos Humanos que deixa claro que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos e possuem liberdade de opinião, expressão, direito à vida e são iguais perante a lei.
Todos estes direitos foram inseridos na nossa última constituição, promulgada em 1988, conhecida internacionalmente como constituição cidadã. No entanto, nem as lutas das mulheres, nem a Declaração Internacional dos Direitos Humanos e tampouco nossa carta-magna fizeram com que as mulheres fossem plenamente respeitadas e tratadas com igualdade.
Números não faltam para comprovar o quanto é necessário avançarmos para assegurar o respeito a estes direitos. Levantamento encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em parceria com o Datafolha, mostra que há 536 casos de violência contra as mulheres por hora em nosso país. Isso mesmo com a existência de leis específicas, criadas para assegurar a integridade das mulheres que vivem no Brasil.
O mercado de trabalho também demonstra o quanto ainda precisamos avançar. Mesmo com a garantia constitucional de que homens e mulheres são iguais, elas recebem salários menores em praticamente todos os cargos, áreas de atuação e níveis de escolaridade. Além disso, mulheres são minoria nos cargos de destaque, como a direção de empresas.
Na política não é diferente. A representatividade feminina ainda é ínfima, embora representem mais de 50% do eleitorado brasileiro.
É possível escrever longos textos mostrando o quão difícil e inseguro ainda é ser mulher nos dias de hoje. Com toda a certeza, ao longo destes mais de 100 anos de lutas, houve avanços significativos, mas a estrada é longa e é preciso continuar a andar.
Adoramos flores, bombons, cafés da manhã e todo o tipo de homenagens, mas queremos também o resgate do motivo da existência da data, para que todas as lutas não tenham sido em vão. Para que as mulheres passem a ser plenamente livres, respeitadas, valorizadas e reconhecidas.
Gisela Cardoso é vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso (OAB/MT)

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