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Um homem com mãos sujas de graxa dentro de uma oficina mecânica precária. Ele bate furioso com o martelo no balcão, enquanto grita uma série de xingamentos contra o presidente da República . "Nenhum brasileiro aguenta mais você, seu (...), do Michel Temer . Eu fico aqui batendo marreta e não consigo dar alimento pra minha família, cê tá entendendo (...). Ninguém aguenta mais essa vida de trabalhar e não conseguir nada!". Ele termina o vídeo de 2 minutos e 33 segundos em lágrimas, pedindo apoio à greve dos caminhoneiro s.
Distribuído em grupos de motoristas grevistas no WhatsApp aos quais aBBC Brasil teve acesso, o vídeo ilustra o clima nesta segunda-feira, 8º dia de greve dos caminhoneiros . Com a pauta econômica dos transportadores atendida, o movimento continua. Agora, a greve é movida por reivindicações locais e por uma pauta política , que inclui a saída de Michel Temer (MDB) e a defesa de intervenção militar . O diagnóstico é dos presidentes da CNTA ( Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos ) e da Unicam ( União Nacional dos Caminhoneiros ), ouvidos pela BBC Brasil .
A greve dos caminhoneiros chegou hoje ao seu 8º dia. O último boletim da Polícia Rodoviária Federal (PRF), divulgado às 14h desta segunda-feira, mencionava a existência 556 pontos de bloqueio em todo país, e 727 pontos já liberados. Os números são parecidos com os registrados ao longo do fim de semana, mas a PRF diz que os protestos restantes não impedem totalmente a circulação nas estradas. Cidades brasileiras continuaram convivendo hoje com redução da frotas de ônibus, desabastecimento de combustíveis nos postos e cancelamento de voos nos aeroportos.
Interrompendo uma rotina que foi iniciada na semana passada, o governo federal não recebeu nenhum representante dos caminhoneiros para novas negociações nesta quinta-feira.
Pela manhã, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo) e Sérgio Etchegoyen (GSI) comandaram uma reunião do núcleo de emergência criado pelo governo para tratar do tema. Na saída, Padilha disse ter informações de que há "infiltrados" entre os grevistas, impedindo que os protestos sejam desmobilizados. "Vamos fazer de tudo para combater os infiltrados (...), para que os caminhoneiros possam voltar a trabalhar pensando no suprimento da família brasileira".
Na noite de domingo, o governo federal se comprometeu a zerar a cobrança de impostos federais sobre o óleo diesel, o que reduziria em R$ 0,46 o preço do litro do combustível vendido às distribuidoras. Segundo o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, o corte de impostos terá um impacto de R$ 9,5 bilhões nos cofres do governo até o fim deste ano.
No fim da tarde, o chefe do Estado-Maior conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Ademir Sobrinho, apresentou um balanço das ações realizadas para tentar minimizar os efeitos da greve dos caminhoneiros. Os militares estão priorizando o transporte de combustíveis para veículos policiais e aeroportos, além de insumos para hospitais. Também têm como foco manter o abastecimento de combustíveis em usinas termoelétricas.
Redes confusas
José Araújo da Silva, o China, é presidente da União Nacional dos Caminhoneiros, a Unicam. Na quinta-feira, ele foi um dos sindicalistas que se recusaram a assinar o acordo com o governo.
"Já liguei para todo mundo (líderes do movimento) hoje e ninguém sabe exatamente o que a base quer", diz ele. "Ontem (domingo), o pessoal (caminhoneiros que estavam no Palácio do Planalto negociando) aceitou as três medidas provisórias e o Temer publicou. Só que o pessoal agora não está aceitando mais nada", diz China. Em suas conversas com caminhoneiros, o sindicalista diz ter visto várias manifestações de "Fora, Temer" e também pedindo a intervenção militar entre os grevistas.
O presidente da CNTA, Diumar Bueno, avalia que a situação está se radicalizando por pressão de "pessoas alheias" ao movimento dos caminhoneiros autônomos, e que as manifestações já "extrapolaram em muito a base de representação" da entidade. "Tem gente que quer que o movimento permaneça eternamente, como os pré-candidatos (às eleições de 2018) que estão fazendo do movimento um palanque", reclama ele.
Nas últimas horas, a BBC Brasil monitorou três grupos de caminhoneiros grevistas no WhatsApp. Mensagens pedindo a saída de Temer da presidência são comuns, assim como vídeos e áudios conclamando a população para se manifestar a favor de uma intervenção militar, entre outras pautas.
"Me parece que a grande maioria quer continuar com a paralisação. Que agora é contra a corrupção, agora é pelo Brasil. Beleza, podemos continuar. Só que nós temos que dar um ultimato à sociedade civil organizada. (...) Nós queremos o apoio da população de verdade, não só em redes sociais", diz um dos áudios que percorreu os grupos de caminhoneiros. "Agora não é pelo óleo diesel, agora é pelo Brasil. Queremos que a Lava Jato avance, queremos que os casos que estão no STF desçam pro juizado de primeira instância, queremos o fim da corrupção (...)", diz a mensagem.
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