Edson Sardinha - CONGRESSO EM FOCO
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou que submeterá o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro até a próxima terça-feira. “Ou segunda à noite, ou terça de manhã”, disse Maia em café da manhã com jornalistas na manhã desta sexta-feira (16). Maia classificou a medida do governo como “contundente”, “dura” e “extrema”. O deputado afirmou que a medida vai antecipar a pauta da segurança pública na Casa e adiar por ao menos uma semana a votação da reforma da Previdência.
Maia evitou ser taxativo sobre o futuro da reforma. Disse que trabalhará pela reforma das despesas do Estado brasileiro e não descartou a possibilidade de o decreto vir a ser suspenso pelo presidente Michel Temer para que a proposta seja votada na última semana de fevereiro, data-limite imposta por ele para a votação. “Ou vota em fevereiro ou vota em fevereiro”, declarou.
De acordo com dispositivo constitucional, a Constituição não pode sofrer alterações “na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”. A reforma da Previdência está prevista em uma proposta de emenda constitucional.
Segundo o presidente da Câmara, a intervenção federal na área da segurança pública do Rio de Janeiro restringe um calendário que já era de grande dificuldade para o governo. Mas o cenário poderá mudar, na avaliação dele, se o governo conseguir os 308 votos necessários para aprovação da reforma.
“A última semana de fevereiro é o limite para constituir votos para a reforma da Previdência. Tenho de manifestar minha opinião e expressar a opinião de parte importante dos deputados. O sentimento dos parlamentares é muito grande em começar a votar essa questão em março”, declarou. Para ele, a intervenção não põe fim às pretensões do governo de votar a reforma da Previdência ainda em fevereiro. “Mas não podemos votar o decreto num dia e suspendê-lo no outro”, disse, ao justificar a impossibilidade de votar a reforma na próxima semana.
“O Brasil tem muitas urgências. Uma delas o presidente organizou ontem, conversou conosco e decidiu fazer intervenção. Temos outra urgência, o sistema previdenciário está falido. Vamos continuar debatendo as despesas públicas. Estamos vivendo outra realidade hoje. Vou votar o decreto, vou continuar articulando maioria para votar a reforma do Estado brasileiro”, afirmou.

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