Onofre Ribeiro
Semana passada foram noticiados alguns bairros de Cuiabá e de Várzea Grande dominados pelo Comando Vermelho. Ruas controladas, roubo organizado e proibido dentro dos bairros. Casas protegidas, moradores “seguros”. Mas o custo pela proteção é o silêncio. Nada é pior do que o silêncio imposto pelo medo.
As penitenciárias mato-grossenses estão dominadas faz tempo pelo Comando Vermelho. Já houve alguma rivalidade em Mato Grosso entre o PCC e o Comando Vermelho. O PCC é originário de São Paulo, e o Comando, vem do Rio. O PCC é mais empresarial. O CVC é mais operacional e truculento.
Pela proximidade da fronteira boliviana e o domínio consagrado do tráfico de armas e de drogas na região, Mato Grosso está aos poucos se tornando refém do CV. Faz anos que a rota de armas e de drogas passa por terra e pelo ar.
Mas até então o domínio do crime organizado estava só dentro dos presídios. Agora saiu pra fora. Organizado. Duro cruel. Chegou às ruas. Em Cuiabá regiões importantes como Grande CPA, onde residem mais de 200 mil pessoas, o CV domina o crime local. Começou há cerca de um ano a “filiação” de jovens em troca de proteção jurídica. Amigos que residem lá contam-me o desejo de mudar e o grande número que já se mudou por medo dos filhos serem aliciados. Caminho sem volta.
O Rio de Janeiro começou assim. Já havia o “apartheid” dos morros em relação ao asfalto. No morro os pobres e os ricos no asfalto. Nos governos de Leonel Brizola, 1983/1987 e 1991/1994, pra se eleger ele fez um acordo com os morros. Eles não desciam pro asfalto e a polícia estadual não subiria aos morros. Traduzindo; ele entregou os morros às próprias lideranças fora da ordem jurídica legal. Daí pra frente criou-se outro Rio de Janeiro que veio estourar nesses últimos anos. Hoje a cidade está completamente fora de qualquer controle legal.
Na luta as polícias se corromperam, os líderes dos morros corromperam também a política e o judiciário. Esses corromperam todas as estruturas do governo do Estado do Rio de Janeiro. A história mereceria detalhar melhor a crônica dessa inversão de valores jurídicos.
Mas teve um começo parecido. Em Mato Grosso as políticas ainda obedecem ao comando. O Judiciário perdeu a coragem de exercer o seu peso, vergado pela retórica dos direitos humanos. Ainda não é corrupção. Até quando só Deus sabe. A política já está meio a meio cooptada.
A lamentável conclusão é que: ou se desenvolve um grande planejamento estratégico de segurança, ou seremos daqui a pouco uma terra semelhante ao Rio de Janeiro: sem lei e sem ordem! Dá tempo!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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