Onofre Ribeiro
Li na semana passada entrevista do professor Fabrício Carvalho, publicado na mídia, que se resumiu no conceito “O Brasil só vai ser decente quando tiver educação”. Tocou-me particularmente o tema porque veio de uma voz do silencioso campo educativo. Talvez pela sensibilidade que a música lhe dá, já que é o maestro da Orquestra Sinfônica da UFMT. Somado ao fato de que é o secretário de Articulação e Relações Institucionais da universidade, suas declarações tomam maior importância. O setor da educação padece de extrema aridez nos contextos educacionais brasileiros, neles incluindo as universidades federais, transformadas em pobres laboratórios de ideologias.
Os níveis internacionais que medem a educação brasileira são de chorar. Os níveis internos são na maioria manipulados por estatísticas de gabinete absolutamente inconfiáveis. Os níveis de inovação dizem a mesma coisa. Os níveis de percepção da realidade social, econômica e tecnológica passam longe dos prédios da educação pública brasileira. Curioso, é que cada vez mais é perceptível que o mundo se desconstrói e se reconstrói sob parâmetros de extrema modernidade.
Porém, questionar a educação no Brasil de agora, implica em olhar pra trás. É preciso olhar a cidadania e a ética coletivas, que foram desconstruídas ao longo dos últimos 55 anos. O modelo da educação brasileira era humanista, inspirado na França. Em 1962 uma lei de diretrizes e bases copiou o sistema norteamericano que privilegia as estatísticas e mata o humanismo substituído pelo pragmatismo anglo-saxônico. Ali morria o professor-educador e a sala de aula transformava-se num laboratório de estatísticas que mais tarde ganhou outras maldades como a “bondosa” lei da educação em ciclos do fim dos anos 1990.
A ideologia socialista entrou na sala de aula a partir dos anos 2000 e a educação perdeu o seu fundamento universalista e estreitou as percepções da ética e da cidadania. Temos, a rigor, uma educação sindicalizada, e um sistema que associa orçamentos escolares, não-cobrança de resultados e o laissez-faire, assim chamado pelos franceses de deixa estar pra ver como fica.
Imagino que o maestro Fabrício Carvalho e alguns dos seus pares na universidade sofram com esse cenário atual, ao enxergarem que o futuro não será um tempo pra amadores. Conceitos como inovação, inteligência artificial, tecnologias, big-data, computação na nuvem, redes sociais, disrupting, produção automatizada, compliance nas empresas privadas e públicas, significarão fases novas no mundo. Queiramos ou não.
Enfim...
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato grosso

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