• Cuiabá, 04 de Abril - 00:00:00

Assuntos da América Latina

  • Artigo por Alfredo da Mota Menezes
  • 09/12/2021 08:12:07
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                Dados recentes mostram que a Venezuela passou a ser o país mais pobre da América Latina. A renda da população está em 1.620 dólares. Abaixo do Haiti, 1.690 dólares, que era o país mais pobre da região.

                O que acontece na Venezuela é quase inacreditável. País que, em certo momento, se acreditava que seria o mais desenvolvido de toda América Latina por sua enorme riqueza em petróleo. A Venezuela, com gentes recentes no governo, numa tal revolução bolivariana, é um desastre com letras maiúsculas.

                A situação é tão dramática que fez cerca de cinco milhões de venezuelanos abandonarem o país. Em MT chegaram muitos. O que ocorre na Venezuela deveria ser condenado também pelas pessoas da esquerda politica regional, aquilo é um péssimo exemplo para o mundo.

                No Chile a disputa para presidente vai para um segundo turno, em 19 de dezembro, entre um candidato mais à esquerda e outro bem à direita. O da direita teve 2% de vantagem sobre o da esquerda no primeiro turno. As propostas da direita chilena não são diferentes das outras da região, patriotismo, família e religião.  O Chile tem sido, muitas vezes, modelo para países latino-americanos. Se a direita ganhar a eleição talvez repercuta em outros lugares também.

                A Argentina passa por momento estranho. Vem, ao longo de anos, desmontando o que o país criou no passado. Agora, com disputas entre esquerda e direita, com um lado querendo destruir o que o outro fez, empurra cada dia mais a Argentina para trás.

                A Argentina já foi considerada país rico. Tinha à época todos os dados de um país desenvolvido, em educação, renda, equilíbrio social. Ao longo do tempo foi parando a máquina e hoje o país tem uma desigualdade social nos moldes de outros da América Latina.

                Na Nicarágua, Daniel Ortega, continua no poder e sua esposa é a vice-presidente. É aquele caso que o Lula, numa derrapada danada, disse que se Ângela Merkel da Alemanha pode ficar 16 anos no poder, por que não o Ortega. Apanhou de todos os lados com a comparação. Merkel numa democracia, eleições normais, Ortega aprontando todas para se manter no poder, inclusive com prisão de vários candidatos a presidente.

                A politica na América Latina é cheia de casos bizarros, continuo no de Ortega. Ele foi o líder na luta contra a família Somoza que dominou a Nicarágua com mão de ferro por décadas. A família Somoza manteve no poder o pai, Anastásio, e depois dois filhos. Parecia dinastia monárquica.

                Ortega, com apoio da opinião pública mundial, ajudou na queda desse grupo. Foi presidente, passou um tempo fora do poder, voltou e está ali desde 2006 se reelegendo. Tirou uma ditadura e fez a sua. Ah, mas ele está sendo eleito. Os Somoza também eram eleitos. Antes, como agora com Ortega, se manipulava tudo para se continuar no poder.

           E a esquerda regional tapa os olhos para mais esse caso esquisito, como o da Venezuela. Coisas da América Latina.

 

Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.

E-mail: pox@terra.com.br   site: www.alfredomenezes.com



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