Ninguém duvida que as eleições de 2018 serão cobradoras. Cito um exemplo. Em 1990 na primeira eleição pós-regime militar (1964-1985), um eleitor chateado cobrou muito dos 22 candidatos a presidente da República. Entre eles os melhores nomes da República. Apesar do conteúdo de todos eles, como o grande líder da oposição e presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, não conseguiram trazer pra mesa da campanha os grandes temas nacionais de então. Nem o experiente Leonel Brizola, líder da esquerda.
Pensava-se que o tema era vangloriar a retomada da democracia e do direito de voto do cidadão depois de 21 anos. Engano. O eleitor queria um aceno de futuro. Algum grande tema capaz de apaziguar a sua busca por algo que ele próprio não sabia. Um candidato bem louco, Fernando Collor de Mello, de pouco conteúdo, levantou a tese da “caça aos marajás” do serviço público. Era uma proposta fraca, mas respondia ao desejo popular de ver o Estado se organizar. Por pior que parecesse esse foi o grande tema que elegeu o presidente da República na primeira eleição depois dos militares.
E 2018? O ambiente é parecido. O fim da era esquerdista deixou um vazio de empobrecimento da discussão política. Os temas da esquerda não eram os tremas da sociedade. Eram temas de projeto de poder. A sociedade quer algo mais duradouro. Michel Temer nem de longe respondeu a isso. Até porque veio do mesmo saco.
Na eleição de Mato Grosso os grandes temas estão todos na mesa e parece não terem sido entendidos por quem pretende disputar o governo. Na manhã desta sexta-feira no evento entre agronegócio e o Judiciário, na Famato, sobre pontos de ligação entre os dois setores olhando pra realidade da economia, muitas coisas ficaram claras. André Pessoa, da empresa Agroconsult, ligada às estratégias do agro, fez uma palestra muito rica. Deu todos os dados econômicos relevantes mundiais associando-os à produção de alimentos no mundo. O papel de Mato Grosso é estupendo diante do Brasil e o do Brasil diante do mundo.
Vou deixar esse tema pra frente, mas gostaria de dizer é que os grandes temas que demandarão os gestores do Estado de Mato Grosso nos próximos quatro anos e no futuro próximo estão completamente fora da atual mesa de discussões. A impressão que se tem é a de que estão falando do Piauí, talvez. Vejo uma profunda ignorância entre a realidade que nos atropela e nos atropelará aqui em Mato Grosso, e as falas, discussões e o conhecimento dos gestores atuais e dos pretensos futuros.
Voltarei ao assunto ao longo desta semana em novos artigos. Mas já prevejo um desastre nos próximos quatro anos a julgar pelo absoluto desconhecimento das muitas realidades que nos cercam e das que tentam nos empurrar pro futuro. Os nossos pretensos candidatos até agora parecem querer discutir o sexo dos anjos...
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
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