No correr desta semana o advogado Mário Sá e sua esposa tiveram a sua casa invadida por dois ladrões. A princípio, dois ladrões pés-de-chinelo. Mas cruéis e completamente sem noção. Invadiram a casa de madrugada, beberam, comeram, ameaçaram o casal, apontaram armas, riram, debocharam como se ninguém ali fosse humano. Os ladrões, desumanos por absoluta animalidade de origem. O casal por eles considerado mera fonte de renda. Digo isso, porque recentemente um casal amigo também foi assaltado. Durante o assalto a namorada de um deles ligou e ele disse “que estava trabalhando”.
Difícil imaginar o grau de insegurança do casal durante as quase oito horas sequestrados dentro de sua própria casa e sob ameaças permanentes. Conheço muito de perto Mário Sá. É calmo e equilibrado. Capaz de conduzir uma situação dessas sem extremos. Mas sob ameaça de uma arma por horas e vendo sua esposa ameaçada de morte e de estupro todo o tempo, fico imaginando o grau de estresse.
Negociações da polícia e os bandidos jogando com os direitos humanos que passaram de uma bandeira bem intencionada a uma arma que hoje o crime usa a seu favor. Sabendo que serão protegidos durante as negociações e depois de presos, eles usam e abusam da sua condição de “vulneráveis”. Herança da era petista que terminou por dividir a sociedade entre os que tem e os que não tem. Na esteira os direitos humanos perderam o seu papel de balança e penderam pra um lado só. O resultado se traduz em impunidade. Tudo pode quem não tem. Ora, quem tem lutou por isso. Conheço a história pessoal de superação do Mário Sá. Nunca teve direitos humanos protetores na sua trajetória de construção e uma carreira a partir da condição social.
Na delegacia os dois presos chegaram rindo da confusão que aprontaram. Certeza de impunidade. De lá foram pra uma audiência de custódia onde fizeram carinhas de arrependidos e disseram meia dúzia de argumentos sem nexo. Soltos numa boa. Como eles, dezenas diariamente arrebentam a vida de pessoas que efetivamente são trabalhadores ao longo de toda a sua vida. Promotores, delegados, juízes e advogados complacentes dormem o sono dos justos depois de libertar gente assim. Dormem serenos porque fizeram “justiça social”. Do lado de cá, famílias destroçadas tornam-se meros clientes de psicólogos depois da amarga experiência e perdem toda a calma e a segurança de viver na sua sociedade.
Triste país esse em que vivemos!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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