Onofre Ribeiro
Desde o último domingo as atenções mundiais recaíram, sobre a Venezuela por conta da prisão do ditador Nicolas Maduro pelos EUA. Vejo o assunto ser tratado exclusivamente pelo ângulo político. É mais. O ângulo correto seria o geopolítico. Mas para compreendê-lo é preciso voltar 80 anos atrás quando acabou a segunda guerra mundial e iniciou-se a Guerra Fria entre os Estados Unidos e os países que formavam o bloco da União Soviética,
Era a polarização política e ideológica do mundo entre as duas potências. Durou até 1989. O mundo ficou monopolar já que a União Soviética se dissolveu. Em 1990, os presidentes do Brasil, da Venezuela e de Cuba lideraram um movimento para a criação de algo parecido com a União Soviética, preservando o comunismo russo na América Latina e no Caribe. Nasceu o Foro de São Paulo com o propósito de criar as condições para implantar o comunismo na região, e fazer frente aos Estados Unidos. Lideravam o Foro, Lula, Hugo Chavez e Fidel Castro.
Os Estados Unidos nunca deram importância ao movimento e continuaram tratando a América Latina e o Caribe como seu quintal. Porém a geopolítica mundial começou a mudar a partir de 2000 com a entrada da China na economia mundial e a sua associação com alguns países: Rússia, Irã, Cuba, Nicarágua, Coreia do Norte, Venezuela e Brasil.
A Venezuela trouxe pra dentro do seu território todos eles e, por último o movimento terrorista Hezbolá. Pagava pelos serviços militares de proteção, armas e aviões em petróleo. E A China entrou muito rapidamente na maioria dos países da área do Foro de São Paulo, preocupando os EUA de perderem o seu quintal e trazer os seus inimigos pra muito perto de si.
E eleição fraudada de Maduro em 2024 acedeu a luz amarela nos EUA. Usando como justificativa o narcoterrorismo, a eleição que feriu a democracia, e o petróleo, prendeu Maduro. Mas não é essa a verdadeira questão. A questão é tirar aqueles países inimigos do seu quintal. A organização da Venezuela pós-Maduro é coisa de algum tempo e os EUA não vão deixar na mão das lideranças venezuelanas por conta dos seus comprometimentos políticos. É só tempo mesmo.
A Colômbia será o passo seguinte e o Brasil o terceiro passo. O Brasil, pelo papel que tem no continente e por suas possibilidades econômicas. O Brasil junta as questões de ataques à democracia, o aparelhamento do narcotráfico sob a proteção do Estado, ataques aos direitos humanos pelo DTF e pelo governo e a corrupção interna. Trump pensa em substituir a liderança atual por outra confiável aos EUA. As posições nacionais e internacionais de Lula ajudam nessa leitura dos EUA. Em 1964 a queda do presidente João Goulart se deu sob a força do braço norteamericano. Há antecedentes aqui e no mundo todo. Venezuela acaba de ser o último.
Trump pretende desmontar do Foro do São Paulo. Isso significa fortíssima presença norteamericana no continente. Brasil terá um atenção especial. Questão de tempo. Logo após a Colômbia.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.
onofreribeiro@onofreribeiro.com.br

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Sancionada lei que proíbe descontos em benefícios do INSS
Atraso de cirurgia de idosa: TJ condena plano de saúde
EUA x Venezuela: os limites entre o direito à guerra e o combate ao crime organizado
Urna eletrônica: entenda como o equipamento transformou o processo eleitoral brasileiro
Estado destaca obras de novos Hospitais Regionais em MT
Autismo Visível
Patentes farmacêuticas não são certificados de segurança sanitária
Ministério lança edital para formar agentes populares de saúde
Interior: Polícia Militar mira faccionados acusados de homicídios
Saque-aniversário do FGTS 2026 começa a ser liberado