Maria Augusta Ribeiro
As telas estão por toda parte, brilhando, vibrando e hipnotizando. Mas será que nossas crianças estão pagando um preço alto demais por esse encanto? E a ciência é clara: o uso excessivo de telas está prejudicando o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das futuras gerações. E Países como França e Suécia estão liderando o caminho com medidas ousadas, e o Brasil pode aprender com eles.
A Revolução Sem Telas na França: Uma Infância Vibrante
Em uma recente viagem à França, fui surpreendida por uma cena incomum para os padrões brasileiros: crianças brincando, rindo e vivendo o presente, livres das telas. Isso mesmo que leu: Não vi nenhuma criança menor de 14 anos grudada em smartphones ou tablets, nem mesmo usando o celular dos pais.
Nos restaurantes, famílias conversavam à mesa, sem brinquedotecas digitais ou vídeos do YouTube. Parecia que estava vivendo no passado, onde as crianças faziam o que sabem fazer de melhor: corriam e se divertiam.
Curiosa, comecei a perguntar a grupos de jovens franceses quando tiveram acesso aos primeiros celulares e redes sociais. E a resposta se repetia unânime: recebem o primeiro smartphone aos 14 anos e só criam perfis em redes sociais aos 16. Mais impressionante ainda era a percepção deles: “O celular é uma ferramenta, não um brinquedo”, disse um adolescente em um museu parisiense.
Essa mentalidade reflete uma abordagem cultural que prioriza a infância real, não a digital. Nos museus, vi crianças participando de “caças ao tesouro” que transformavam a visita em uma aventura imersiva, sem espaço para telas. Essas experiências mostram como a França está reaprendendo a arte de brincar, estimulando a criatividade e a interação social.
A França também adota medidas concretas. Desde 2018, o país proíbe celulares nas escolas para alunos até 15 anos, uma política que reduz distrações e promove o foco. Em 2024, o governo francês foi além, banindo telas em creches e jardins de infância para crianças menores de 3 anos, com base em estudos que mostram atrasos na aquisição de linguagem e no desenvolvimento socioemocional causados pela exposição precoce.
Suécia: Um Passo Radical Contra a Digitalização Escolar
Enquanto a França protege a primeira infância, a Suécia está dando um passo ainda mais audacioso. Em agosto de 2023, o Ministério da Educação sueco anunciou a proibição de recursos pedagógicos digitais nas escolas, revertendo 15 anos de digitalização intensiva. A decisão, liderada pela ministra Lotta Edholm, foi motivada por evidências científicas de que o uso excessivo de telas prejudica a aprendizagem. A Suécia, que já foi pioneira na substituição de livros por tablets e plataformas digitais, observou quedas alarmantes no desempenho escolar, com alunos perdendo o hábito da leitura e professores enfrentando dificuldades sem materiais físicos.
Mas Por Que as Telas Prejudicam?
A ciência não deixa dúvidas sobre os riscos do uso excessivo de telas. Um estudo de 2024, publicado na JAMA Pediatrics, analisou 2.500 crianças de 3 a 10 anos e encontrou uma correlação direta entre o tempo de tela e atrasos no desenvolvimento linguístico e social. Crianças expostas a mais de 3 horas diárias de telas apresentaram vocabulários 30% menores e menor habilidade em interações face a face.
O excesso de estímulos visuais também causa distúrbios do sono, miopia, irritabilidade e dependência, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Brasil Acorda para o Problema
No Brasil, o alerta começa a ecoar. A nível nacional, o Governo Federal lançou em março de 2025 o guia “Crianças, Adolescentes e Telas”, coordenado pela Secretaria de Comunicação Social. O documento orienta pais e educadores sobre o uso consciente de dispositivos, destacando a importância de equilibrar atividades digitais com interações no mundo real.
Que tal trocar meia hora de tablet por uma aventura no quintal? Como tia, garanto: cada sorriso vale mais que qualquer notificação. Vamos aprender com a França e a Suécia e dar às nossas crianças o que elas realmente precisam: uma infância vibrante, criativa e livre.
Maria Augusta Ribeiro é especialista em comportamento digital e Netnografia no Belicosa.com.br

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