• Cuiabá, 30 de Agosto - 2025 00:00:00

CNI destaca relatório do Conselho Empresarial do BRICS sobre barreiras no comércio


Da Redação

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ressalta nesta sexta-feira (4/7): "relatório inédito do Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS) - elenca 24 barreiras que dificultam o comércio entre os países do bloco".

A entidade pontua que o "levantamento relaciona entraves não tarifários que comprometem as trocas comerciais" 

Confira na íntegra:

Apesar da força econômica dos países que compõem o BRICS — que juntos respondem por cerca de 40% do PIB global e por quase um quarto do comércio mundial de bens —, o intercâmbio comercial entre os membros do bloco ainda enfrenta uma série de entraves. Um novo e inédito relatório elaborado pelo Conselho Empresarial do BRICS (CEBRICS), órgão oficial de representação do setor privado dos países-membros identificou inicialmente 24 barreiras não tarifárias que comprometem as trocas comerciais intrabloco. No Brasil, o grupo é secretariado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).  

A publicação será apresentada durante o Fórum Empresarial do BRICS, no Rio de Janeiro, e integra os esforços do grupo empresarial para aprofundar a agenda de comércio e investimentos entre os países do bloco. O comércio intrabloco do BRICS movimentou cerca de US$ 1,1 trilhões em 2023, correspondendo a 20% do total exportado e a 30% do total importado pelos países que compõem o bloco, mostrando que há potencial para ampliar as relações. 

O levantamento mapeou obstáculos diversos — de natureza regulatória, sanitária, fitossanitária, técnica, aduaneira e administrativa — que afetam de forma direta empresas exportadoras e importadoras. A Índia aparece com o maior número de barreiras (10), seguida por China (9), Rússia (5) e Brasil (3). No entanto, as barreiras associadas à China se destacam pela complexidade regulatória e pelo alto impacto sobre setores estratégicos, como biotecnologia, tecnologia da informação, logística e propriedade intelectual. 

Segundo Ricardo Alban, presidente da CNI, o relatório reforça a contribuição do setor privado para a cooperação econômica no BRICS. "Este levantamento é uma iniciativa inédita que reforça o papel do empresariado no avanço da agenda econômica do BRICS. Ao mapear de forma estruturada os principais obstáculos ao comércio intrabloco, contribuímos concretamente para ampliar a integração e promover um ambiente de negócios mais previsível e eficiente." 

A iniciativa foi inspirada na estratégia da indústria brasileira de mapeamento sistemático de obstáculos ao comércio, implementada pela CNI com o setor produtivo nacional. Com base nessa experiência, o CEBRICS coordenou um esforço inédito entre os membros da Força-Tarefa de Comércio e Investimentos, resultando na sistematização de um primeiro conjunto de barreiras notificadas pelos representantes empresariais dos cinco países. 

O objetivo do relatório é fornecer aos governos nacionais um diagnóstico claro dos gargalos enfrentados pelo setor privado, promovendo maior transparência regulatória, alinhamento institucional e criando condições para a eliminação ou mitigação desses entraves por meio de ações coordenadas. "Nossa expectativa é ampliar a cooperação empresarial, científica e tecnológica para reduzir assimetrias e ampliar o acesso aos mercados intrabloco", afirma Frederico Lamego, superintendente de Relações Internacionais da CNI.  

A expectativa é que o documento se torne um instrumento permanente de monitoramento e referência para o diálogo público-privado no âmbito do BRICS. 

Principais barreiras comerciais identificadas no levantamento do CEBRICS: 

Índia 

  • Regras rígidas de rotulagem para alimentos, cosméticos e produtos industriais, que geram altos custos e atrasos. 
  • Barreiras sanitárias que afetam a entrada de maçãs, peras e alho da China, com restrições vigentes desde 2014 e 2017. 
  • Obrigatoriedade de certificações locais para produtos químicos e para o setor têxtil, com rejeição de certificações internacionais.  
  • Política de preços e subsídios para o setor de açúcar, que gera distorções no mercado global.  
  • Restrições a serviços jurídicos e aplicação de testes de necessidade econômica (Economic Needs Test) para diversos setores, como varejo, saúde e serviços profissionais. 

China  

  • Obrigatoriedade de testes em animais para cosméticos importados, prática já abolida em mercados como UE e Índia. 
  • Demoras na aprovação de biotecnologias agrícolas, com prazos médios de 4 a 5 anos, o que afeta a comercialização de commodities como soja e milho. 
  • Exigências de certificação compulsória (CCC) para eletrônicos e maquinários industriais, mesmo quando já certificados internacionalmente. 
  • Burocracia na certificação de produtos químicos e barreiras logísticas para equipamentos portuários, com prazos que impactam até 10 dias nas operações. 
  • Dificuldades na proteção de propriedade intelectual no setor de tecnologia e software, devido a padrões técnicos fragmentados. 

Rússia 

  • Restrições em serviços técnicos e de consultoria, incluindo exigências locais que impactam a entrada de empresas estrangeiras. 
  • Exigências específicas para softwares, IA e cibersegurança, com barreiras relacionadas a certificações e propriedade intelectual. 
  • Regras de conteúdo local em compras governamentais, principalmente em setores como defesa, tecnologia e energia. 

África do Sul 

  • Imposição de critérios de conteúdo local em compras públicas, que afetam setores como energia, defesa e infraestrutura. 
  • Exigência de certificações locais para produtos, mesmo quando já certificados por padrões internacionais. 
  • Restrições à entrada de serviços jurídicos e aplicação de testes de necessidade econômica, semelhantes às práticas adotadas na Índia. 

Brasil 

  • Burocracia nos processos de importação de equipamentos portuários, com exigência de inspeções que podem gerar atrasos médios de 7 a 10 dias. 
  • Incertezas no acesso a biossimilares devido a procedimentos regulatórios complexos e sobreposição de patentes. 
  • Dificuldades associadas à falta de harmonização nas certificações ambientais (green goods) e nos padrões de sustentabilidade. 

Sobre o Fórum 

Fórum Empresarial do BRICS é uma plataforma para o avanço da cooperação diante dos desafios globais que reúne esforços dos países membros para promover uma agenda baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão econômica. O evento conta com os patrocinadores XCMGDP WorldKeetaWEGEmbraerValeFebrabanMebo InternationalMarfrig/BRFServiço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)Serviço Social da Indústria (SESI) e Instituto Euvaldo Lodi (IEL), além do apoio institucional do Conselho Nacional do Sesi, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Natura, do SEBRAE, da ApexBrasil e da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan)

Com Comunicação CNI




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