Igor Melo
Caminhar sobre o fio da navalha parece ser o esporte diário de muitos varejistas. Equilibram-se entre dois extremos. De um lado, há quem opte por estar super estocado para não perder vendas em hipótese alguma. O desafio aqui são os altos investimentos relacionados a esta decisão, que impactam a rentabilidade do negócio. De outro, há quem opte por um estoque mínimo e perde oportunidades de vendas, por falta de produto na loja, frustrando o seu cliente final.
Nenhum dos dois polos é desejável. O ideal é garantir uma gestão de estoques inteligente e dinâmica e, para isso, há cinco passos a seguir.
O primeiro deles é conhecer e adotar o conceito HBT, um acrônimo do termo em inglês Head, Belly and Tail, que qualifica os itens como sendo de alto, médio e baixo giro. Quando faltam na loja os itens de alto giro, temos um problema. Não apenas há um impacto negativo sobre o resultado das vendas, como os consumidores saem da loja com uma experiência ruim. Já, quando o mesmo se dá com itens de giro baixo, o estrago é bem menor.
O segundo passo é a busca diária pelo estoque ótimo. A gestão de estoques inteligente já não se baseia tanto em previsões de venda, mas, sim, no remanejamento inteligente de itens no dia a dia. E isso é possível por meio do ajuste dinâmico das metas de reposição, com base nas vendas que efetivamente estão acontecendo agora, em tempo real. A ideia é alcançar ciclos de reposição com respostas rápidas, de olho nas variações de demanda.
Chegamos ao terceiro passo: saber o que, de fato, priorizar no reabastecimento. Na prática, quando falamos de reabastecimento, queremos chegar a um equilíbrio que contemple a entrega de um produto por seus fornecedores, em uma ponta, e o atendimento da demanda do consumidor, na outra.
A questão é que quando se dá a quebra de estoque, é importante saber priorizar o que e quais lojas reabastecer primeiro, com decisões bem embasadas em informações. A ideia é garantir que produtos de alto giro sempre estejam disponíveis, em particular, nos pontos de vendas estratégicos. É aí que seus esforços precisam ser concentrados.
O quarto passo prevê que é necessário estar preparado para as datas promocionais do comércio. Estamos falando aqui das oportunidades geradas por datas sazonais como Dia das Mães, Black Friday e afins, e como nos preparar com antecedência. Nesses casos, os padrões de demanda são bem atípicos. Portanto, é preciso conhecer as tendências que se manifestaram no passado, antecipar o comportamento do consumidor e fazer o ajuste fino do estoque para aproveitar o aumento de demanda que normalmente acontece nestas ocasiões.
Por fim, o quinto passo diz respeito às transferências de estoques entre lojas. Isto é, retirar o que há em excesso em algumas lojas e realocar os itens para outras, cujos estoques estejam baixos ou então desprovidas de produtos. Com isso, maximizamos as oportunidades de vendas e garantimos a satisfação do cliente nas lojas. Esse passo requer a identificação de padrões de excesso e de escassez em toda a rede, ponto a ponto, assim como a tomada de decisão para redistribuir o estoque ao longo da cadeia de lojas de forma eficiente e inteligente.
É importante ressaltar que a tecnologia, especialmente a inteligência artificial, desempenha um papel fundamental na implementação eficaz dos cinco passos mencionados acima. Com o auxílio da IA e sua capacidade de análise preditiva, o varejo pode dar um salto significativo em direção à eficiência operacional.
(*) Igor Melo é Country Manager da Onebeat Brasil e Especialista em Retail-Tech.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Software: TJ mantém bloqueio de conta de jogo eletrônico
Estado anuncia redução do ICMS da cesta básica em 2026
Os leprosos dos dias de hoje são os descapitalizados
Lei do salário mínimo, que faz 90 anos, organizou relações de trabalho
Cartório Central: megaoperação da PC desmantela facção
A instabilidade como método
Governo confirma suspensão de descontos de empréstimos consignados
Contrato por telefone: Justiça manda devolver valores a idosa
Tribunal de Justiça garante isenção de ICMS para compra de carro
PLP 128 reduz incentivos em 10% e altera a lógica do Lucro Presumido