Alfredo da Mota Menezes
Presidente da Apropsoja em Mato Grosso confirma aquilo que comumente se ouve: que o frete da ferrovia da Rumo no estado tem pouca diferença do frete das carretas. Que isso só vai mudar se vier uma segunda ferrovia. Se estabeleceria a competição e o frete poderia cair e ser, para o produtor, bem melhor do que é hoje.
Se ocorrer, ou quando ocorrer, faria uma revolução na logística do estado. Duas ferrovias dariam para transportar quase toda produção no campo para lugares ou mares diferentes. É ainda um sonho. Hoje se tem a Rumo logística em Rondonópolis, começando a descer a serra para chegar a Lucas do Rio Verde em anos pela frente.
Hoje a ferrovia transporta cerca de 80 mil toneladas por dia e vai até Lucas buscar parte dessa carga. Tudo indo em direção ao porto de Santos. A outra ferrovia seria a Ferrogrão ou aquela entre Sinop e Miritituba. Uma para Santos e outra para águas do norte do país e depois saindo pelo Atlântico.
A Ferrogrão ainda é um sonho distante. Até aventa a hipóteses da Rumo chegar a Lucas e criar um ramal para o Norte do pais. Se isso ocorresse poderia inviabilizar a Ferrogrão?
Em torno das duas ferrovias tem outros argumentos. Um deles é que isso inviabilizaria o trabalho de muita gente que hoje vive do transporte por carretas. Não só a carreta em si, mas toda a infraestrutura que se tem nas estradas do estado para dar suporte a esse meio de levar cargas.
Outro argumento procura mostrar que não seria bem assim, pois se usaria muitas carretas para levar a carga de grãos das fazendas e outras localidades para a linha férrea. O desemprego dessa mão de obra não seria tão grande, mesmo com duas ferrovias.
Outro assunto do momento no estado sobre transporte é a preocupação, pelo menos para este ano, sobre o Fethab ou o Fundo Estadual de Transporte e Habitação. Pode haver uma quebra de algo como 20% na produção do agro em 2023 no estado por causa da onda de calor e falta de chuva. Aventa-se a hipótese de uma queda, também de 20%, na arrendação do Fethab para 2024. Seria um baque enorme no investimento estadual em rodovias pelo estado.
O Fethab, que muitos do setor agrícola foram contra no momento de sua criação lá no governo Dante de Oliveira, é hoje a maior alternativa para que o estado tenha recursos para investir em estradas. Com queda na arrecadação do Fethab a coisa se complica nessa área.
Se não existisse esse meio de arrecadar dinheiro para transporte como estaria hoje as rodovias no estado? O governo arrecadaria menos por causa da Lei Kandir, aquela que desonerou a comercialização dos bens primários. De onde viria dinheiro para transporte? O Fethab, olhando pelo retrovisor da história, foi uma boa invenção e talvez hoje se possa dizer que a maior parte dos produtores rurais concorda com isso.
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br

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