Wilson Pedroso
A criação das urnas eletrônicas significou um passo importante para o sistema eleitoral brasileiro, colocando fim à votação em papel e contagem manual de cédulas. Elas utilizam o que há de mais moderno quanto às tecnologias de criptografia, assinatura digital e resumo digital. Além disso, funcionam de forma completamente isolada, não havendo a possibilidade de serem conectadas qualquer tipo de rede.
Apesar de o sistema eleitoral possuir uma tecnologia blindada a qualquer tipo de ataque, é comum que haja desconfiança dos eleitores sobre a segurança das urnas, já que são cada vez mais avançados os recursos utilizados por hackers para ataques cibernéticos em geral. Até mesmo candidatos e partidos políticos já levantaram dúvidas, por diversas vezes, sobre a possibilidade de fraudes nas urnas.
Por este motivo, é fundamental que haja ferramentas para garantir a transparência do processo e, principalmente, para diluir eventuais questionamentos infundados sobre possíveis violações das urnas eletrônicas. Neste sentido, o Teste Público de Segurança (TPS), iniciado na última segunda-feira (27), é uma importante iniciativa do Tribunal Superior Eleitoral para sinalizar à população que o sistema é confiável.
Mais de 30 especialistas em tecnologia estão trabalhando no edifício-sede do TSE, em Brasília (DF), para testar os equipamentos usados para coletar os votos do eleitorado. Os testes são destinados a qualquer cidadão brasileiro, maior de 18 anos, que queira investigar e contribuir para o aprimoramento do processo eleitoral. Para participar, os interessados fizeram inscrições previamente e agora possuem liberdade para fazer tentativas de violação do sistema.
Segundo informações do TSE, serão submetidas à ação dos investigadores as urnas eletrônicas modelos 2022 e 2020, com os respectivos firmwares e mídias eletrônicas, assim como o Gerenciador de Dados, Aplicativos e Interface com a Urna Eletrônica (Gedai-UE), Software de Carga, Software de Votação, Sistema de Apuração, Kit JE-Connect, entre outros sistemas. Ou seja, estamos diante de um processo transparente, que demonstra grande vontade da Justiça Eleitoral de dialogar com a sociedade e comprovar a inviolabilidade das urnas.
O teste público aumenta, entre os eleitores de todo país, a sensação de que o voto é seguro e, especialmente, de que os resultados das eleições são verdadeiros. Além disso, a ação do TSE é de fundamental importância para o combate às fake news e à desinformação, fortalecendo a democracia brasileira na medida em que anula as possíveis desconfianças sobre o resultado final das apurações.
É importante que as investigações sejam mantidas de forma constante, inclusive com a participação da população, para que possamos manter a confiança no sistema. Que em 2024 tenhamos eleições pacíficas e seguras, nos mais diversos aspectos, em todos os municípios do Brasil.
*Wilson Pedroso é analista político e consultor eleitoral, com MBA nas áreas de Gestão e Marketing.

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