Marina Lima
Recentemente, temos experimentado dias extraordinariamente quentes e embora seja esperado que um ano com El Niño seja atípico, 2023 está estabelecendo recordes de eventos climáticos extremos em um curto período. Enquanto o Sul-Sudeste do Brasil enfrenta fortes chuvas e tempestades, outras regiões, especialmente o Centro-Oeste, Norte e Nordeste, lidam com temperaturas acima das médias anuais e seca. É evidente que não estamos adequadamente preparados para lidar com tais eventos.
Essas ocorrências climáticas destacam como as crises geopolíticas, econômicas e ecológicas transformam significativamente a dinâmica de nossas vidas. Nossa rotina é constantemente impactada pelas mudanças climáticas e a infraestrutura urbana muitas vezes não suporta os desafios impostos pela natureza. Populações vulneráveis, especialmente nas periferias, são as primeiras a sofrer, dando origem aos chamados refugiados climáticos.
Enfrentar as mudanças climáticas é crucial, sendo um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, em particular o número 13, que inclui metas como fortalecer a resiliência global e integrar a ação climática em políticas nacionais. A necessidade de melhorar a educação, sensibilização e capacidade humana e institucional na mitigação climática e adaptação também é enfatizada, juntamente com a promoção de mecanismos para lidar com a mudança global do clima em países menos desenvolvidos, com foco em grupos vulneráveis.
Os ODSs, estabelecidos em 2015, abordam temas prioritários para as futuras gerações. No entanto, chegando a 2030, observamos que alcançar o desenvolvimento sustentável global requer ação coletiva local e pensamento global. Nossa responsabilidade não pode ser adiada, especialmente para a geração atual, que busca se adaptar a um mundo em constante mudança.
O letramento global e a adoção de um novo estilo de vida tornam-se imperativos. Para avançarmos, a sociedade deve reconhecer e preservar seu ambiente local, destacando oportunidades e promovendo a economia sustentável. Isso inclui a transição para uma economia circular, regenerativa, bioeconômica e de baixo carbono, integrando essas abordagens nos planos municipais, estaduais e federais.
A economia sustentável não apenas introduz um novo paradigma, mas também oferece oportunidades de desenvolvimento econômico, redução das desigualdades e igualdade de gênero, utilizando os biomas do país como fontes de inovação. Isso implica transformar cidades e comunidades por meio de infraestrutura e indústria sustentáveis, promovendo a acessibilidade a energias limpas.
Essencial para esse desenvolvimento é o investimento nas pessoas que impulsionarão essas mudanças. A sociedade precisa de saúde, bem-estar, erradicação da pobreza e da fome, iniciando com uma educação de qualidade e acessível a todos. A mudança só será possível por meio de parcerias, implementação eficaz, justiça e instituições sólidas.
A integração dos ODSs nos próximos sete anos requer um esforço conjunto. Para aqueles interessados em contribuir e se informar, o Centro Sebrae de Sustentabilidade oferece amplo conteúdo gratuito. Que tal começar a explorar a nova economia e descobrir como você pode agir em sua região?
Marina Lima é bióloga, mestre em ecologia e conservação da biodiversidade e atua como analista técnica no Centro Sebrae de Sustentabilidade.

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