Kátia Arruda
Vou partir do pressuposto de que todas nós, mulheres, podemos nos tornar empreendedoras independente da nossa configuração de vida. O primeiro passo é verificar se a ideia de negócio idealizado é viável e está alinhada com nossos interesses, paixões e habilidades. Também é importante sondar a demanda de mercado pelo produto ou serviço, algo que o Sebrae pode ajudar nesse início de jornada.
Após isso, é hora de se preparar para ser uma empreendedora, o que significa buscar capacitação e conhecimento para desenvolver habilidades essenciais para que a nossa empresa não entre nas sombrias estatísticas (IBGE) que dizem que 48% das empresas brasileiras fecham em até 3 anos por motivos que vão além de uma alta carga tributária (item em primeiro lugar), mas que também falta de planejamento e de gestão.
Entre algumas das principais características que uma empreendedora de sucesso precisa desenvolver estão: iniciativa; inovação; resiliência; atitude empreendedora; organização e planejamento; capacidade de comunicação; habilidade para criar e conduzir equipes; e por fim, motivação e sensibilidade para compreender que o negócio visa muito mais que compra e venda, significa realização de sonhos e resolução de problemas.
Com a ideia de negócio definida e habilidades/conhecimentos adquiridos, o próximo passo é elaborar um plano de negócios sólido, com estratégia, mercado-alvo, recursos necessários e projeções financeiras. Esse planejamento estratégico ajuda a direcionar as ações e estabelecer metas claras para o crescimento do negócio, paralelamente, outra dica é buscar parcerias e manter uma rede de contatos para fortalecer a sua atuação.
Gosto muito de repetir o ditado "sozinhas vamos mais rápido, mas juntas vamos mais longe". Isso mostra a importância de trabalhar o empreendedorismo a partir de uma perspectiva de "rede de negócios", por isso sou uma defensora de que precisamos investimento em networking. Sim, é sobre "mulheres que levantam outras mulheres", por isso estou cercada de mulheres poderosas que se apoiam!
Caminhar juntas é fundamental para que possamos driblar inúmeros desafios que ainda vivemos na nossa sociedade, entre eles, os principais são o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, estabelecendo limites claros, contando com apoio de familiares e amigos, além dos cuidados com o nosso bem-estar físico e emocional. Mesmo com todos os avanços, sem apoio não temos como "voar alto".
Por que incentivar o empreendedorismo feminino é tão importante? Somos capazes de gerar impacto positivo nas nossas comunidades, trazendo novas ideias e soluções para problemas complexos; ter nosso próprio negócio pode ser a única opção para muitas de nós que enfrentam barreiras no mercado de trabalho tradicional, como diferença salarial, falta de oportunidades e o etarismo, como aconteceu comigo que há alguns anos não consegui recolocação por ter mais de 50 anos.
Apoiar uma mulher empreendedora também é uma maneira de mostrar para as meninas, desde a infância, que há espaço para elas serem o que quiserem, já que o empreendedorismo oferece às mulheres a oportunidade de alcançar independência financeira e tomar decisões em relação à sua carreira, aumentando a sua autoconfiança e capacidade de influenciar positivamente sua vida.
Mulheres empreendedoras geram oportunidades de emprego para si mesmas e para outras pessoas, ajudando a impulsionar a economia local, nacional e global. Isso significa que apoiar o empreendedorismo feminino é contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, com os olhos voltados à inovação e ao desenvolvimento econômico muito mais inclusivo e humanizado.
Parafraseando a célebre escritora e filósofa francesa Simone de Beauvoir que dizia que "ninguém nascer mulher, mas, torna-se mulher", precisamos desenvolver as habilidades necessárias para prosperar sermos mulheres empreendedoras. Vamos dar o primeiro passo tendo consciência desse momento histórico, já que essa sem dúvida será a melhor escolha para nós mesmas, para as nossas famílias e a sociedade.
Kátia Arruda é palestrante e mentora de mulheres, Administradora, Mestre em Gestão de Pessoas, especialista em Comportamento Humano nas Organizações e Didática do Ensino Superior e Especialista em Direito Administrativo e Gestão da Qualidade.

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