João Luiz Simões Neves
A criatividade desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de soluções inovadoras para os desafios que enfrentamos diariamente. É através da criatividade que somos capazes de gerar insights, que são as ideias não convencionais que surgem repentinamente em nossa mente.
No meu livro "Pensando Claramente: Uma Visão da Bondade", busco explorar o processo criativo, os insights e o salto cognitivo, e examinar sua inter-relação, além de discutir mais sobre a questão dos modelos mentais e das ideias preconcebidas. Lá, apresento uma série de exercícios de imaginação que explicam como funcionam os insights e o salto cognitivo, como este que é proposto por Kevin Ashton em seu livro "A história secreta da criatividade", onde pessoas costumam apresentar três soluções para os problemas.
A história é: você está numa sala com uma porta de madeira. Na sala você encontra uma vela, uma cartela de fósforos e uma caixa de tachinhas. Como seria possível prender a vela à porta, utilizando apenas essas coisas, de modo que possa acendê-la, deixá-la queimar normalmente e criar uma luz que sirva para ler?
Uma primeira solução seria derreter parte da vela e utilizar a cera derretida para grudar a vela à porta. Outra solução seria prender a vela à porta com as tachinhas. Ambas as soluções podem funcionar, mas não muito bem. A terceira solução, mais eficiente e que só ocorre para a minoria, é esvaziar a caixa de tachinhas, prendê-la na porta com a tachinha e usar a caixa para sustentar a vela. Esta última solução tem uma característica que as outras não têm: um dos materiais, a caixa, é usado para um propósito diferente de sua finalidade inicial. Em algum momento, ocorre um desprendimento, quando a pessoa que está solucionando o problema deixa de vê-la como um objeto para guardar as tachinhas e começa a vê-la como algo para segurar a vela.
Essa mudança de leitura é o que chamamos normalmente de insight, uma clareza súbita na mente, a partir da qual desvendamos cenários diferentes e damos um salto cognitivo. Outros problemas do tipo são elaborados por psicólogos. E todos podem ser resolvidos do mesmo modo: mudando o foco intuitivo que estamos predispostos a usar.
Cientificamente falando, Ashton embasou sua análise no trabalho do psicólogo alemão Karl Duncker, na década de 1940, a partir da monografia intitulada On Problem Solving, que foi considerada uma revolução e uma transformação no entendimento da ciência do cérebro, conhecida por "revolução cognitiva". O método de Duncker consistia em dar problemas às pessoas, solicitando que elas pensassem em voz alta enquanto tentavam solucioná-los, apreendendo, dessa forma, a estrutura do pensamento dessas pessoas.
Durante o estudo, Duncker se perguntava de que modo uma solução significativa pode ser encontrada e, ao estabelecer suas conclusões trouxe o seguinte pensamento: "Se uma situação é introduzida em certa estrutura perceptiva, o pensamento alcança uma estrutura contrária somente vencendo a resistência da estrutura anterior". Ou, ideias antigas obstruem as novas. Muitas vezes avançamos quando fazemos a pergunta certa. A pergunta certa é muito mais importante que a resposta. Um problema sem solução pode ser um problema mal formulado. Se estamos diante de um problema ou de um dilema, é importante se perguntar o que é possível para resolver esse problema.
João Luiz Simões Neves é economista formado pela Unicamp, com MBA pela Business School São Paulo e Programa Executivo pela Universidade de Toronto, possui especializações em análise de sistema e marketing.
Atualmente, é diretor da Global Results, consultoria especializada em gestão e liderança (www.globalresults.com.br), além de palestrante e escritor da área de gestão e liderança, com artigo internacional publicado na revista Apics – EUA.

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