Onofre Ribeiro
Existem pelo menos 3 brasis. O Brasil do litoral e das grandes metrópoles. O Brasil profundo do interior. E o Brasil de Brasília.
Os dois primeiros trabalham e vivem os seus dramas sociais, econômicos e crises. São muito diferentes. As metrópoles são dramáticas O Brasil profundo trabalha muito e tem valores muito diferentes das metrópoles. Mas são o Brasil real.
E tem Brasília. Ali reside a Côrte que domina o país em nome de um governo presidencial, supostamente democrático. Compreender Brasília pede antes compreender a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988.
A Constituição foi elaborada nos anos de 1987 e 1988 por um Congresso Nacional Constituinte especialmente eleito. Ela veio regular o novo Estado democrático brasileiro após o regime militar de 21 anos que teve duas constituições, em 1967 e em 1969 e o Ato Institucional 5. Esperava-se uma constituição democrática.
No final, saiu um documento revanchista contra os militares e contra futuros “golpes”. Profundamente burocrática a Constituição permitiu que se criasse um Estado brasileiro voltado pra dentro e que deixaria a sociedade em segundo e terceiro planos. A Constituição favoreceu a tomada do Estado pelas corporações públicas que consomem quase toda a riqueza nacional produzida pelos dois brasis fora de Brasília.
Hoje o quadro é deprimente. Um Congresso Nacional covarde. Um Ministério Público solto, aparelhado, juntando interesses corporativos e ideologias. Um Judiciário vivendo dentro de uma bolha sem o comprometimento com a democracia e a regulação dos deslizes legislativos. Uma espécie de tribunal da inquisição guiado por alguma religião iniciática. No contorno o corporativismo do serviço público. Todos protegidos por recursos públicos vindos dos impostos. Agarrados na defesa dos interesses internos e dos direitos construídos nesses 34 anos da vigência da Constituição. O poder Executivo, que deveria governar, é um maestro de orquestra de berimbau, tentando reger uma orquestra sinfônica.
Hoje passados esses 34 anos o Brasil está colhendo o resultado do trabalho legislativo de 1987/88 que criou essa “lei maior” desastrada. Em perfeito caos, resta-nos olhar os brasis em conflito. O pior deles é mesmo o de Brasília. Este, especializado em sugar os esforços dos outros dois. Corrupção absoluta. Ineficiência inacreditável. Custo faraônico. Arquipélago de ilhas corporativas bem sucedidas.
Se alguém perguntar: e aí, o futuro? A resposta talvez seja a de que primeiro precisamos concluir o atual caos profundo, pra depois, quem sabe, nos erguermos lentamente...! Ah....teremos perdido outras chances de sermos uma nação desenvolvida.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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