Gonçalo Antunes de Barros Neto
A existência é uma das perguntas fundamentais da filosofia e tem sido objeto de discussão e debate por filósofos ao longo da história. Afinal, o que significa existir? O que nos torna existentes? Existe um propósito para nossa existência?
Considere, primeiramente, que se pode afirmar que a existência é o fato de algo estar presente no mundo. Portanto, é a condição de algo ser real, ocupar um espaço e um tempo. Mas, nota-se, essa definição é apenas superficial, visto não enfrentar o que mais importa: o que faz algo ser existente?
A filosofia existencialista, por exemplo, entende que a existência é algo muito mais profundo do que uma mera presença no mundo físico. Para esses filósofos, a existência é uma condição humana, e não apenas um estado de ser. Os existencialistas desenvolvem questões de liberdade, escolha, responsabilidade e sentido.
Nesse sentido, pode-se considerar que a existência é uma condição ontológica, ou seja, uma maneira de ser da pessoa humana. Seres que existem, e essa existência define de maneira única e irrepetível a todos. Cada um é um ser singular, com sua própria história, escolhas e experiências.
Mas o que torna pessoas, existentes? A filosofia também se debruça sobre essa questão, e diferentes correntes filosóficas têm diferentes respostas para ela. Para alguns pensadores, a existência é um dom divino, algo que nos é dado por um ser superior. Para outros, a existência é fruto do acaso, de uma série de eventos aleatórios que culminaram na presença humana no mundo.
Independentemente da origem da existência, o fato é que homens estão aqui. E com isso, surge a questão do propósito dessa existência. Qual é o sentido de se estar no mundo? A essa questão há diferentes respostas.
Para alguns filósofos, o sentido da vida está em buscar a felicidade, em satisfazer os desejos e necessidades. Para outros, o sentido da vida está em buscar a verdade, em compreender o mundo e ao homem. E, ainda, há aqueles que defendem que o sentido da vida está em criar algo, em deixar um legado, em contribuir para o bem-estar da humanidade.
Não há dúvida que essa reflexão, por si só, traz angústia, na medida em que com ela não se chega a um porto seguro, definitivo, sobre o porquê de aqui se estar e prosseguir. As religiões, cada qual, têm seus entendimentos sobre essa grande questão, tormentosa e inquietante.
Provavelmente, o motor imóvel, o princípio primeiro, o Uno, Deus tenha dado uma natureza aos humanos, permitindo, na mesma proporção e densidade, a todos a busca pela condição (humana), arbitrando na responsabilidade de cada um, caminhos, escolhas e antecipação do que será: ainda não é, mas existe.
Independentemente da resposta que se adote, o fato é que a busca por sentido é uma parte essencial da condição humana. Quem vive busca significado, um propósito que justifique a própria existência. Essa busca é difícil, dolorosa e solitária, mas também é recompensadora e gratificante.
Em última análise, a questão da existência é uma das questões mais profundas e complexas da filosofia. Ela convida a refletir sobre quem se é, de onde veio e para onde vai. E, embora não haja respostas definitivas para essas questões, o simples fato de fazê-las já torna o pensante em mais humano, mais consciente e, assim, mais vivo.
É por aí...
Gonçalo Antunes de Barros Neto (Saíto) tem formação em Filosofia e Direito, pós-graduado pela Universidade de Lisboa e mestre em Sociologia pela UFMT. Escreve aos domingos em A Gazeta (E-mail: podbedelhar@gmail.com).

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