Alfredo da Mota Menezes
Bolsonaro falou, numa entrevista nos EUA, que não diria o que disse sobre Covid. Ficaria calado. Reconheceu o equivoco cometido e que pode ter afetado sua reeleição. As frases chamam tanto a atenção que foram compiladas.
Algumas delas. Disse “eu não vou tomar a vacina e ponto final”. Também falou que a vacina teria que ser comprovada cientificamente e que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”. E agora deve ser mostrado o cartão de vacina dele e se saberá se foi ou não vacinado.
Mais frases estranhas no meio de uma pandemia. Se "você virar jacaré, problema de você ou se nascer barba em uma mulher ou alguém começar a falar fino”. O mundo se vacinando e Bolsonaro amedrontando a população sobre a vacina.
Continuava o ex-presidente, “eu tive a melhor vacina: o vírus”. "Nunca vi ninguém morrer por tomar cloroquina”. Não tomei a vacina, é um direito meu “até porque os efeitos colaterais e adversos são enormes”. São muitas frases, a internet tem todas elas.
Hoje Bolsonaro disse que não diria nada disso. Aquilo atrapalhou a eleição dele. A economia ia bem no seu governo, com o PIB crescendo mais de 3% em 2022, como já mostrou antes a coluna. O desemprego estava em queda e a inflação sob controle. Não havia nenhum escândalo de corrupção envolvendo o nome do Bolsonaro.
Com tudo isso foi o único presidente no mandato que não foi reeleito. Até dona Dilma foi. Possivelmente o que matou o projeto de reeleição do Bolsonaro foi seu comportamento, frases e atitudes que assustaram muitos eleitores, principalmente o voto feminino que é maioria no país.
Reconheceu que estava equivocado e que se voltasse à presidência seria outro Bolsonaro. Talvez não volte a uma disputa porque é crença quase geral de que deve se tornar inelegível por ações judicias que correm por aí.
Seu oponente na eleição, Lula da Silva, mostra-se falador em demasia. Primeiro foi seu posicionamento sobre a independência do Banco Central e o presidente da instituição. Chegou-se até a aventar a hipótese de que ele iria pedir para acabar com a independência do banco. Falava frases estranhas contra meta de inflação, estabilidade fiscal, teto de gastos.
Tem frases e atitudes dele que parece querer reescrever a história. Diz que com a Dilma não foi impeachment, foi golpe. Que não houve corrupção no governo, apesar dos bilhões devolvidos por empresas para os cofres públicos. Quer criar uma narrativa nova sobre um monte de coisas que aconteceram e enegreceram muita gente do seu lado politico.
Lula também já começa a demonstrar descontentamento com setores da imprensa, outra área que o PT no governo, principalmente no de Dilma Rousseff, reclamava continuadamente. Gentes do PT, lá atrás, até falaram em controle social da mídia.
Bolsonaro diz que, ao voltar para o Brasil, vai viajar pelo país e procurar ajudar seu lado político na eleição para prefeito no ano que vem. Esquerda de um lado com Lula e Bolsonaro do outro: vai feder chifre queimado.
Alfredo da Mota Menezes é professor, escritor e analista político.
E-mail: pox@terra.com.br

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