Alfredo da Mota Menezes
Dados recentes mostram que a Venezuela passou a ser o país mais pobre da América Latina. A renda da população está em 1.620 dólares. Abaixo do Haiti, 1.690 dólares, que era o país mais pobre da região.
O que acontece na Venezuela é quase inacreditável. País que, em certo momento, se acreditava que seria o mais desenvolvido de toda América Latina por sua enorme riqueza em petróleo. A Venezuela, com gentes recentes no governo, numa tal revolução bolivariana, é um desastre com letras maiúsculas.
A situação é tão dramática que fez cerca de cinco milhões de venezuelanos abandonarem o país. Em MT chegaram muitos. O que ocorre na Venezuela deveria ser condenado também pelas pessoas da esquerda politica regional, aquilo é um péssimo exemplo para o mundo.
No Chile a disputa para presidente vai para um segundo turno, em 19 de dezembro, entre um candidato mais à esquerda e outro bem à direita. O da direita teve 2% de vantagem sobre o da esquerda no primeiro turno. As propostas da direita chilena não são diferentes das outras da região, patriotismo, família e religião. O Chile tem sido, muitas vezes, modelo para países latino-americanos. Se a direita ganhar a eleição talvez repercuta em outros lugares também.
A Argentina passa por momento estranho. Vem, ao longo de anos, desmontando o que o país criou no passado. Agora, com disputas entre esquerda e direita, com um lado querendo destruir o que o outro fez, empurra cada dia mais a Argentina para trás.
A Argentina já foi considerada país rico. Tinha à época todos os dados de um país desenvolvido, em educação, renda, equilíbrio social. Ao longo do tempo foi parando a máquina e hoje o país tem uma desigualdade social nos moldes de outros da América Latina.
Na Nicarágua, Daniel Ortega, continua no poder e sua esposa é a vice-presidente. É aquele caso que o Lula, numa derrapada danada, disse que se Ângela Merkel da Alemanha pode ficar 16 anos no poder, por que não o Ortega. Apanhou de todos os lados com a comparação. Merkel numa democracia, eleições normais, Ortega aprontando todas para se manter no poder, inclusive com prisão de vários candidatos a presidente.
A politica na América Latina é cheia de casos bizarros, continuo no de Ortega. Ele foi o líder na luta contra a família Somoza que dominou a Nicarágua com mão de ferro por décadas. A família Somoza manteve no poder o pai, Anastásio, e depois dois filhos. Parecia dinastia monárquica.
Ortega, com apoio da opinião pública mundial, ajudou na queda desse grupo. Foi presidente, passou um tempo fora do poder, voltou e está ali desde 2006 se reelegendo. Tirou uma ditadura e fez a sua. Ah, mas ele está sendo eleito. Os Somoza também eram eleitos. Antes, como agora com Ortega, se manipulava tudo para se continuar no poder.
E a esquerda regional tapa os olhos para mais esse caso esquisito, como o da Venezuela. Coisas da América Latina.
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br site: www.alfredomenezes.com

Ainda não há comentários.
Veja mais:
Lula diz que salário mínimo é baixo, mas aponta importância de direito
TJMT mantém pena por transporte ilegal de agrotóxicos
Justiça crava: plano de saúde deve custear mamoplastia
PF deflagra Operação Escudo Digital em Mato Grosso
O Mapa da Vida Longa até os 90 anos com saúde
TJ manda plano custear acompanhamento terapêutico escolar
Pesquisa: cesta básica recua na terceira semana de janeiro
O Brasil e o mundo para 2026: ordem global e caos interno
O despertar do Santo Graal: Por que buscamos fora o que só pode ser encontrado dentro!
Janeiro Branco: a solidão da mulher madura — invisibilidade ou oportunidade?