Gonçalo Antunes de Barros Neto
O que importa mais, o fato ou a sua apreensão? Primeiramente, deve-se entender que a consciência é diferente das coisas e, do ponto de vista do saber, é anterior a elas.
Então, pode-se destacar que a consciência concebe as ideias das coisas (Descartes), que representa as coisas (Kant), ou ainda que constitui as coisas como significações (Husserl).
Independente do caminho filosófico a perseguir, está claro que a consciência não é uma coisa e um objeto não é consciência, ou seja, o sujeito do conhecimento é uma realidade separada e distinta da realidade do objeto do conhecimento (Marilena Chaui, Convite à Filosofia). Assim, o sujeito existe e de forma distinta das demais coisas.
A apreensão do fato tende a ser distinta na proporção da concorrência dos demais sujeitos para a sua compreensão. Daqui advém a noção de que não pode haver verdade absoluta.
A par disso, por que a metafísica estaria morta ou mesmo superada?
Para o aristotelismo, é papel da metafísica a investigação das realidades que transcendem a experiência sensível. Ainda que Hume a tenha descartado quase que por completo, entendendo que a razão humana não tem como alcançar o conhecimento da realidade em si, e Habermas a tenha entendido como superada pela filosofia da linguagem, a metafísica sobrevive porque ela dá fundamento à paridade entre objeto e consciência. Se desconsiderada, a razão seria comandada pelos influxos da experiência sensível e perderia densidade na teoria do conhecimento, ou seja, o sujeito perde primazia, a consciência de si reflexiva nunca seria o ponto de partida do saber, muito menos concorreria com a experiência.
A razão não é a consciência moral que orienta as vontades? Como diferenciar na matemática dois termos, então? A matemática, mesmo considerando a geometria, não seria ciência por não ser objeto de experiência no mundo sensível?
A apreensão diferenciada de determinado fenômeno por diferentes sujeitos demonstra a paridade entre a experiência sensível e a razão. Mais, a dependência entre elas, sem qualquer sobreposição.
A realidade externa compete com a realidade interna. É dessa síntese, do confronto entre elas, que nascerá a apreensão, o conhecimento sobre o objeto, que será sempre relativizado e temporal, visto perdurar até ser substituído por outro.
Também, isso independe de se considerar que o sujeito é um lugar vazio na oração, como parece enaltecer a filosofia da linguagem e Habermas, pois, o mesmo também poderá ser afirmado sobre o objeto do discurso, que está na realidade do mundo, na sociedade e na natureza, como representação e não como semelhança.
Assim, respondendo à pergunta inicial, ambos importam. O fato e o conteúdo de sua apreensão. E as variadas tentativas de afirmação quanto ao conhecimento sobre determinada pessoa sempre será parcial, por isso que a cautela nos é cara, por ser fundamental, e a química dos remédios, perigosa.
Portanto, não fofoque, ignorante!!!
É por aí...
Gonçalo Antunes de Barros Neto é graduado em Filosofia e Direito (email; bedelho.filosofico@gmail.com).

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