Professora Rosa Neide
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou no dia 25 de maio, a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/2019, a famigerada Reforma Administrativa. A informação pouco difundida na imprensa representa um dos maiores retrocessos na estrutura do País, desde a Constituinte de 1988.
A PEC foi admitida com 39 votos favoráveis e 26 contrários. Os parlamentares do PT e dos partidos de oposição que integram a CCJ votaram contra.
Se é que podemos ressaltar algum ponto positivo nessa absurda aprovação, podemos citar que na CCJ a PEC não obteve os votos necessários, que serão exigidos para sua aprovação no plenário: dois terços.
A reforma seguiu para tramitação na Comissão Especial instalada para avaliar seu mérito. Nesse momento é muito importante que cada servidor público e que cada servidora pública de todo País e de todos os entes: União, Estados, municípios e Distrito Federal converse com os deputados e deputadas.
Os servidores e a população em geral não podem permitir que a Reforma Administrativa seja aprovada, porque ela destruirá os princípios da Constituição Federal, desmontará os serviços públicos, precarizará o trabalho dos servidores, retirará seus direitos e garantias e jogará os destinos do Brasil ao sabor dos interesses financeiros do capital privado, nacional e internacional.
Entre as propostas contidas na PEC está o fim da estabilidade do servidor público. Ao destruir a estabilidade, o governo Bolsonaro pretende trazer de volta para o serviço público o coronelismo dos anos 30, onde os servidores eram nomeados por coronéis políticos regionais. O trabalho do servidor ficará submetido aos interesses políticos dos governos de plantão e não mais aos interesses do País.
Caso a Reforma seja aprovada, a cada troca de governo haverá também a troca dos servidores para nomeação dos indicados do novo governo, provocando assim a descontinuidade da oferta dos serviços públicos. A PEC também estabelece a precarização dos servidores, com ampliação da jornada de trabalho e ampliação da terceirização.
Caso aprovada, a Reforma concederá poderes ao presidente da República para extinguir órgãos, autarquias, fundações e cargos públicos por decreto, sem necessidade de autorização do Congresso Nacional. Além de nomear seus servidores, o presidente terá superpoderes sobre a máquina pública, sem fiscalização do poder legislativo. Além de cruel, essa reforma é autoritária.
A proposta também proíbe a intervenção do Estado na economia, vetando política industrial, política de subsídios para setores econômicos e investimentos públicos no Sistema Único de Saúde (SUS), na educação pública e na segurança pública. Ou seja, a Reforma pretende transformar a Constituição Cidadã, cujos princípios são o desenvolvimento e o bem estar social, em uma Constituição ultraliberal, que garante a expansão do lucro da minoria que comanda o mercado financeiro, em detrimento da maioria da população brasileira.
Repito, o trabalho do PT e dos demais partidos de oposição na CCJ não conseguiu barrar a admissibilidade da PEC, mas foi suficiente para impedir que o governo a aprovasse por ampla maioria. Na CCJ o governo obteve 59% dos votos. No plenário precisa de 66% (308 votos).
Contudo, não podemos nos enganar. O bolsonarismo autoritário e ultraliberal tentará acelerar a aprovação da Reforma na Comissão Especial, para levá-la o mais rapidamente possível ao plenário. Por isso, cada servidor e cada servidora, toda população brasileira precisa dialogar com os parlamentares.
As eleições de 2022 estão próximas, deputado e deputada que votar contra os servidores públicos estarão nas ruas pedindo votos, pelas suas reeleições ou para outros cargos. Uma boa conversa, agora, dos eleitores e eleitoras com seus representantes na Câmara é vital para impedirmos o desmonte do Estado brasileiro e a destruição dos serviços e servidores públicos.
Professora Rosa Neide é Deputada Federal (PT-MT).

Ainda não há comentários.
Veja mais:
CNU2: resultado preliminar das vagas reservadas já pode ser consultado
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor