Alfredo da Mota Menezes
A presidência da república quer criar um decreto que proíbe as plataformas digitais, twitter, facebook, Zap e outros, de não tirarem do ar postagens de ninguém. Essas plataformas tem feito isso quando percebem que tem notícia falsa ou alarmista. O próprio Bolsonaro já teve mensagens apagadas.
Os que apoiam Bolsonaro usam muito a mídia social e andam incomodados com as proibições de suas muitas mensagens. No decreto do governo essas plataformas só poderiam tirar algo do ar se for com ordem judicial. Arrumam assim um atrapalho para as redes para não tirarem gentes e mensagens da mídia social.
Vamos ver como vão reagir essa plataformas. Não esquecer que elas podaram antes o homem mais poderoso do mundo, o presidente dos EUA, Donald Trump. Por sinal até hoje ele está fora do circuito.
Bolsonaro e seguidores acreditavam que tendo a mídia social não precisariam nunca mais da mídia tradicional e partiram para o ataque contra ela. Agora, com o cerco das plataformas às suas atuações, estão sem saber como mostrar o que fazem ou para criticarem os adversários.
Outra. Eduardo Pazuello disse na CPI da Covid que Bolsonaro não mandou suspender a compra da vacina Coronavac. Confrontado com vídeo da fala do presidente de que havia ordenado a não compra e quem mandava era ele, Pazuello falou que aquilo era para internet, que no particular o presidente não proibiu a compra da vacina.
Passou a ideia que tem dois Bolsonaro, um que fala para o público externo e outro para o interno. Pegou mal. É como se dissesse, não só naquele especifico caso, que não se deve levar muito a sério quando o presidente fala publicamente, somente nas conversas internas.
Quer mais uma desse momento? Um grupo de juristas entrou com ação no STF para que se faça um exame de sanidade mental em Bolsonaro. Acusam que o presidente não teria equilíbrio emocional para dirigir o país. O relator da matéria no STF é Gilmar Mendes. Vai ser interessante ver o que ele vai decidir sobre uma ação como essa.
Muitos que votaram em Bolsonaro acreditavam que seu governo daria uma forte guinada no Brasil para o lado do liberalismo econômico. Como a esquerda estava grogue nas cordas, depois dos muitos casos na Justiça, depois de perder a eleição para ele, seria o momento dessa mudança de rumo na vida econômica e política nacional.
Que, no novo governo, haveria massivas privatizações, reformas seriam aprovadas logo, que se abriria a economia para integração e competição com a União Europeia e EUA. Um verdadeiro cavalo de pau nas coisas nacionais.
Feito tudo isso e se, hipoteticamente, a esquerda voltasse ao poder não poderia desfazer mais nada do que fora feito. Todos teriam que conviver com aquela nova realidade politica e econômica.
O governo não deu essa cara nova ao país. Aliás, com os programas de assistência social, incluindo o chamado alimenta Brasil, segue a mesma cartilha de governos anteriores. Uma única coisa move os governos no Brasil: a próxima eleição.
Alfredo da Mota Menezes é Analista Político.
E-mail: pox@terra.com.br

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