Luciano Vacari
Vinho, café, queijo, calçados e aguardente, o que tudo isso pode ter em comum? São todos produtos com Indicação Geográfica (IG) brasileira, ou seja, têm a região produtora reconhecida como um diferencial de origem, qualidade e identidade cultural.
A indicação geográfica é um instrumento internacional utilizado para agregar valor a um produto, proteger a região e os produtores e atestar aos consumidores a origem e a qualidade do que estão comprando. É assim com o famoso espumante champagne. Apesar do nome da bebida ser mundialmente difundido, apenas os espumantes produzidos em uma determinada região francesa podem ser chamados de champagne.
No Brasil, alguns produtos usufruem desta ferramenta, como é caso do queijo da Canastra. Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o queijo da Canastra é reconhecido internacionalmente. Assim como a cachaça brasileira, que também possui IG da região de Salinas, em Minas Gerais.
Ao analisar o perfil das Indicações Geográficas, observamos que elas possuem muitas coisas em comum, principalmente o fator cultural. A IG é uma ferramenta para perpetuar os costumes e atividades de regiões e comunidades que possuem importante papel histórico, econômico, social e ambiental no Brasil.
As regiões Sul, Sudeste e Nordeste estão bastante avançadas neste processo de reconhecimento da originalidade de seus produtos. Porém, no mapa das IGs brasileiras, há poucos registros de produtos nas regiões Centro-Oeste e Norte. Será que estamos tão carentes assim de originalidade?
As riquezas do interior do Brasil têm grande potencial, mas ainda faltam iniciativas coletivas, associativistas e que valorizem o conhecimento passado de geração em geração.
Na pecuária, por exemplo, não existe um modelo produtivo mais verde e integrado ao meio ambiente do que a criação de gado nos campos brasileiros. A atividade é realizada em harmonia com os ecossistemas, garante o sustento das famílias e ainda tem como diferencial a carne com sabor específico dos bois criados a pasto.
Identificar e certificar rebanho do Pantanal, do Guaporé e do Araguaia pode ser uma forma para criar identidade aos produtos, assim como fizeram os produtores dos Pampas Gaúchos que possuem a Identificação Geográfica do gado da região.
E podemos ir além, por que não certificar a procedência da carne brasileira? A pecuária nacional é a atividade que está presente em todos os municípios do país, foi importante instrumento de ocupação do território, para produção de alimentos e desenvolvimento social. Sem falar que a carne brasileira tem características próprias que a tornam uma iguaria singular.
Mostrar de onde veio, como foi feito e por quem pode ser o diferencial para a valorizar os produtos originais do Brasil.
Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria.

Ainda não há comentários.
Veja mais:
CNU2: resultado preliminar das vagas reservadas já pode ser consultado
PC confirma prisão de mulher acusada de integrar facção em MT
Operação da PM derruba garimpo irregular em zona rural
IBGE prevê safra recorde de 346 milhões de toneladas em 2025
TJ: reserva para moradia não impede penhora em caso de dívida
Suspensão indevida do seguro: TJ manda indenizar por roubo
TJ decide: venda sob pressão anula contrato e gera indenização
O Agro além do Mito!
Os desafios do aluguel por temporada X falta de segurança e sonegação: o custo invisível para a sociedade
Exclusividade Fotográfica em Formaturas: Entre a Organização do Evento e os Direitos do Consumidor